sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Desapego - by Aline Martins

Olá queridos leitores.

Outro dia fiz minha primeira viagem a trabalho desde que o FH nasceu. Antes dele nascer, eu viajava bastante no meu emprego anterior, e adorava. Eram sempre boas viagens, que traziam consigo oportunidades de aprendizado e de rever práticas no trabalho, aperfeiçoando e melhorando meu desempenho profissional. Gostava demais disso.

Mas desde o FH, eu nunca mais havia feito isso. Sou uma mãe que tem plena consciência de que criamos os filhos para o mundo. Sei que ele vai crescer e vai querer alçar voos solo. E sei também que eu amo meu trabalho, e amo ainda mais as oportunidades de aperfeiçoá-lo, porque amo o desenvolvimento intelectual que viagens de trabalho podem proporcionar. Mas meu coração sempre me dava desculpas para adiar esses momentos. FH ainda é tão pequeno, pensava eu. Ah, ele não consegue ficar sem a mamãe. Ele vai chorar, vai sofrer, e como eu vou voltar para socorrê-lo? Imaginava que ele ficaria arrasado longe de mim, até porque ele é bastante apegado à mamãe. Muito mesmo.

Minha primeira viagem a trabalho foi para perto daqui. Fomos no domingo à tarde e voltamos na segunda a noite. Organizei tudo: combinei com a babá dele de ficar lá em casa com ele, já que meu marido coincidentemente também viajou a trabalho no mesmo dia, assim ele não sentiria um baque de mudança (sair de casa implicaria em ficar longe da rotina dele, das coisas dele, dos brinquedos dele, alem dos pais né?).

Passei a viagem toda pensando nele cada segundo do meu tempo. É incrível como a saudade nos consome, mesmo sendo por tão pouco tempo. Mas qual não foi minha surpresa ao constatar que o danadinho sequer sentiu minha falta? Ficou de boa em casa com a babá. Fez tudo que costuma fazer ao longo do dia, dentro da rotina dele. Não atrapalhou o sono, nem os horários de comer, e brincou tanto que nem se lembrou de perguntar por mim. Nem mesmo na hora de dormir.

Liguei para ele durante a viagem, conversamos bastante, ele me contou as novidades, e riu muito e ficou muito feliz quando eu cheguei. Já foi logo perguntando: cadê minha surpresinha? Mas durante o tempo que ficou longe de mim não chorou, não perguntou exaustivamente por mim, não fez birra de saudade de mamãe. Para meu desespero – ou meu consolo – se comportou muitíssimo bem. Afinal, foi só um dia! E me fez constatar que eu preciso me preparar psicologicamente para esse momento de separação futura. E me fez perceber que os filhos são melhor preparados que os pais em matéria de desapego. E principalmente, que os filhos crescem! E nós, pais e mães, nunca estamos efetivamente preparados para isso.

Espero poder viajar mais a trabalho. A experiência que se ganha profissionalmente é muito boa e eu gosto muito da minha profissão. E sofrer menos com isso agora que já me vali da experiência – e já percebi que ela não é, na verdade, assim tão traumática. Para o meu bem e para o bem do FH!

Um beijo,
Aline

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