sexta-feira, 28 de junho de 2013

E quando vamos ler? - by Aline Martins

Bom dia queridos leitores. Depois de ficar um tempo sem publicar nesse cantinho, decidimos voltar. Por enquanto devagarzinho, mas espero que em definitivo.

Sabe que eu senti muitas saudades de escrever aqui viu? Conversar com vocês, ainda que muitas vezes sem o retorno nos comentários (hehehe) é sempre uma delícia. E me faz ver o mundo com outros olhos.

Sempre gostei de escrever. Pra falar a verdade, mais de escrever do que de ler. Mas sempre li muito, porque eu gosto e porque isso me fazia ficar cada vez melhor na escrita. Minha ânsia por ler e escrever, conhecer as letras e palavras foi tamanha, que aos 4 anos aprendi a ler sozinha. Foi num domingo de manhã, eu louca pra fazer as tarefinhas do livro que minha mãe havia comprado pra me ensinar em casa (eu era ligada na tomada 220V, então minha mãe comprava livros pra me dar tarefas extras, porque as da escola nunca eram suficientes). Levantei cedo e ninguém quis acordar pra ler pra mim e me ensinar. Foi aí que veio o estalo e puft, eu li, assim, do nada. Foi o dia mais feliz da minha infância. Virei uma devoradora de livros compulsiva.

Minha mãe gastou uma fortuna com gibis para satisfazer minha fome de leitura na infância (naquela época livro era muito caro, então pra dar conta do meu ritmo tinha que ser gibi mesmo). Como era bom andar na rua e não precisar perguntar pra ninguém o que estava escrito nos muros, nos cartazes, nos outdoors. Eu achava o máximo a minha primeira fonte de independência, de liberdade.

E confesso que todo esse meu desejo, esse meu gosto pelos livros, hoje, como mãe, me traz angústias. FH adora os livros. Desde bebezinho eu compro livros pra ele, e não os encaro como presentes e sim, como investimento. Por causa da minha rotina diferenciada de trabalho, não consegui implementar uma rotina de leitura para ele antes de dormir. Em contrapartida, leio sempre para ele, às vezes invento histórias, e sempre que ele pede, eu leio para ele. Ele já tem uma biblioteca pessoal maior que a minha na idade dele. E ele também adora “ler” os livros, à maneira dele. Mas não vejo ele se interessar pelas letras como eu me lembro que me interessava.

Pai e mãe tem mania de comparar os filhos, especialmente com a gente mesmo e nossa infância. E eu tento não fazer isso, mas às vezes a ansiedade bate mais forte. Ele se interessa pelos livros, é muito criativo, mas cadê o “estalo” dele? Que horas ele vai sair lendo por aí? Percebam, eu pensei em “horas” e não em “anos”. Será que ele vai aprender a ler só com 6 anos, como todo mundo? Ou vai puxar a mãe, e seu gosto pela leitura e escrita? Não que eu ache que tem algo de errado a criança ler aos 6 anos. É o esperado, na verdade. E o excesso de expectativa só faz mal pra criança. No meu caso, acho que o que mais contribuiu pra eu aprender a ler tão cedo foi que meus pais nunca tiveram essa expectativa. Minha mãe me passava mais tarefas, além das da escola, pra eu ficar mais quieta, pra preencher meu tempo em casa. Sou hiperativa, já contei isso aqui, então as tarefas – que eu adorava fazer – me ajudavam a me concentrar, a focar. Era por isso que, intuitivamente, minha mãe me dava tarefas extras. Ler foi uma feliz conseqüência, que eu, particularmente gostei demais. Talvez essa expectativa fosse só minha, por isso aconteceu.

Vejo que o FH tem muito mais interesse pela lógica, pelos números, do que pelas letras e palavras. E procuro incentivá-lo com o que ele gosta mais. Mas confesso que controlar minha ansiedade nessa hora é meio difícil às vezes. Eu espero que quando ele aprender a ler, no tempo dele, se sinta maravilhado também, com as várias possibilidades que a leitura nos dá. Eu espero que quando ele descobrir as letras, seu interesse pelos livros aumente ainda mais. Vamos compartilhar gostos pelo livros, meu filho amado.

Um beijo,
Aline
PS: é muito bom estar de volta!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...