quinta-feira, 2 de maio de 2013

Relato do parto (VBAC) do Rafa - by Anne Karol

É com muita alegria que venho partilhar neste cantinho tão especial, o relato desse dia tão especial em nossas vidas. Para relatar esse dia, não poderia deixar de mencionar algumas coisas que antecederam o meu VBAC, sim eu tenho uma cesárea anterior, meu primogênito tem 3 anos de idade, pois bem, minha segunda gestação foi bem desgastante pelo fato de descolamento de placenta no 1º trimestre e ameaça de parto prematuro com 30 semanas, acabei deixando de lado a busca por um vbac, só que no fundo, meu coração nunca deixou de desejar o pn, pois bem desde o dia 24 de fevereiro a noite estava sentindo umas cólicas, mas nada demais, dia 25 fiz US e tudo estava ótimo, peso estimado era de 3877 kg, na terça, dia 26 fui na GO e ela me disse que aquelas dores eram só as dores do encaixe, voltei para casa e fiquei de retornar nela só na sexta, dia 01 de março, naquela noite, eu e marido conversamos bastante, juntos lemos muitas sábias palavras da doula Driele ainda naquela noite e juntos chegamos a conclusão de que minha médica nunca aceitaria se submeter a um plano de parto, e de que ter o Rafael através de parto normal seria impossível, e que mudar de GO a essa altura do campeonato, não seria nada fácil, então resolvemos deixar tudo como estava, e na sexta voltaríamos na minha GO, o que eu não sabia é que faltava pouco, bem pouco para conhecer meu tesouro, dormi bem aquela noite e acho que isso se deu ao fato do marido ter me dito que o que eu decidisse ele sempre me apoiaria, dormi a noite toda, o que já não acontecia desde domingo, Deus faz as coisas serem mesmo perfeitas, meu corpo descansou e acordei as 7:30 com umas dores mais fortes que as anteriormente sentidas e eu e maridão depois de algum tempo resolvemos ir até a maternidade mesmo sabendo que provavelmente nos mandariam voltar, afinal seriam as dores do encaixe?! Chegamos lá e para espanto, meu, do marido e dos dois Ginecologistas de plantão, lá estava eu com  8 cm de dilatação, sim 8 cm, nem eu mesma acreditei, a Go de plantão, um amor ligou para minha Go e a mesma não foi localizada, internei as 12:00 hs na Casa de Saúde de Santos, fui para uma suíte chamada sala pré parto, lá tinha uma maca, um banheiro e algum espaço para eu andar, espaço esse que eu andei muito, rs, rapidamente a GO veio checar e em pouco tempo, 9 cm , eu estava a todo tempo com o marido e minha irmã do meio que foi para a maternidade assim que eu liguei avisando que estava indo até lá checar as tais dores, ela chegou rápido porque estava na cidade de Santos já, e lá ficamos, eu, minha irmã e o marido, e que diferença fez poder ficar com eles nessa hora, eu estava calma e não tinha caído minha ficha ainda do que estava prestes a acontecer, em minutos chegaram minha mãe, pai, minha irmã caçula e meu primogênito, Gabriel, tiramos fotos, e foi nessa hora que pedi para o Marcelo ligar para a equipe que filmaria o parto, sim, só agora me dei conta de que eu iria parir, rs, como a equipe é do próprio hospital logo a fotógrafa chegou, mas foi avisando que poderia não dar tempo da moça que faz as filmagens chegar, pois o comum era agendar horário certinho e como eu teria parto normal seria mais complicado, mas que ela ia tentar, ganhei muitos beijinhos do meu amado Gabriel e isso me deu forças para enfrentar tudo que viria pela frente, após aproximadamente 2 horas a GO verificou e eu havia parado nos 9 cm, ela disse que iria estourar minha bolsa e colocar ocitocina para ajudar nesse último cm, passado aproximadamente 1 hora as contrações ficaram muito intensas e eu pedi para não entrar mais ninguém na sala, apenas meu marido e minha irmã eu queria que ficassem ali, começou a ficar desconfortante eu diria, se eu falar que senti dor, foi nesse último cm, pedi para chamarem a GO e já me encontrava em um lugar muito longe dali, lembro como flashes de eu pedir para chamarem a GO gritando, rs, o marido perguntou para a enfermeira se isso era normal, eu queria sentar, eu queria levantar, eu queria deitar, eu queria correr, eu andava, eu me irritava com alguns toques, eu apertava com a mão esquerda muito a mão do marido e com a mão direita a mão da minha irmã, e as contrações vinham e logo iam, como uma onda no mar, minha irmã a todo tempo pedia que eu fizesse a força certa, e falava que faltava muito pouco para o Rafa nascer, eu gritei algumas muitas vezes no ápice das contrações e gritar me fazia relaxar, eu gemia e isso era confortante, saber que aquilo me levaria a um caminho cada vez mais perto do meu amado filho, eu queria parir imediatamente, a GO veio e após constatar dilatação total eu pedi anestesia, ela disse que se eu mostrasse que estava fazendo a força certa ela me daria, mas que seria fraquinha, apenas para aliviar minha irritação, logo mostrei a ela que sim, mesmo sem ler livros e sem me informar o tanto quanto eu deveria, eu sabia fazer a força certa, afinal o instinto ajuda muito nessa hora, então ela pediu para eu tomar um banho, banho? Sim, e eu pensando que a água seria morna, que nada, a água estava gelada e aquele banho não foi legal, confesso, mil vezes a mão do marido me fazendo massagem, sai do banho, lembro da enfermeira me secar com um lençol, e a GO me pegar pela mão e me conduzir pelo corredor do Centro Cirúrgico até a sala de parto normal, todos que estavam trabalhando no Centro Cirúrgico naquele dia estavam esperando o tal parto normal, afinal aquele seria o único parto normal daquele dia dentre pelo menos umas 9 cesáreas,  depois da anestesia, eu me senti bem melhor e embora eu continuasse a sentir as contrações, essas eram mais fracas, lembro que tinha um clima bem alegre na sala, dava para sentir que todos estavam torcendo muito para o parto normal, dava para sentir uma vibração gostosa, e às 17:09 H,  dei a luz a um menino lindo, com nada menos que 4460 kg e 52 cm, desabei a chorar de emoção e ouvi o Marcelo com a voz trêmula dizendo: -  bem vindo filho!, igualmente disse no nascimento do nosso primogênito, daí em diante a GO terminou de dar os pontos da episiotomia e eu já amamentando meu menino no seu primeiro minuto de vida, ainda com sangue, como eu sonhei um dia que pudesse ser. Eu não tive tempo de me preparar para o pn, de fazer exercícios de respiração, de contratar uma doula (apenas iniciei contato via face com a fofa Driele Alia, e tentava me lembrar de tudo que ela havia me dito, de que eu poderia mudar o rumo do que eu quizesse, de que me achava corajosa por ao menos pensar no vbac, e com a ajuda da minha irmã (que foi minha doula por instinto durante meus últimos 2 cm de dilatação) e meu marido que me ajudou a protagonizar esse capitulo tão lindo de nossas vidas, eu consegui parir. E nossa família está mais alegre com a chegada dessa nova vida, agora sim, nossa família está completa. Todos no Hospital queriam ver o tal bebê de 4.460 Kg que tinha nascido de parto vaginal, e minha deusa interior dava pulos de tanto orgulho que estava sentindo dela mesma, por vezes até umas piruetas ela se arriscava, me senti capaz, é uma sensação gostosa, estranha e estimulante, lembro de sentir algo parecido no dia da minha formatura de Direito, mas nem de longe chega perto do que senti neste dia, parecia que eu tinha ganhado o Oscar, algo assim, inebriante, contagiante e apaixonante poder viver essas emoções. Hoje penso que não poderia ter passado por essa vida sem parir um filho por parto normal, seria injusto, eu não seria completa.  Receber flores do marido ainda na maternidade com um cartãozinho escrito, você é uma guerreira, foi quando minha ficha começou a cair de fato. Quando eu falo que Deus faz tudo perfeito são por algumas razões, pois vejam, logo após o expulsivo eu perguntei para a pediatra de plantão que estava cuidando do Rafa se ela tinha filhos e ela me respondeu com um sorriso imenso no rosto que tinha três filhos e os três haviam sido de parto vaginal e para minha surpresa a GO me disse que também havia tido seus filhos através de parto vaginal, com isso, eu só posso chegar a uma conclusão, que meu plano de parto foi mesmo escrito por Deus, pois essa equipe de plantonistas de uma das maternidades mais bem conceituadas da Baixada Santista e super conhecida por ser cesarista, era extremamente a favor do parto vaginal, afinal, elas mesmos já haviam parido por esta via, talvez se minha GO tivesse sido localizada, as coisas não seriam tão perfeitas, e provavelmente eu cairia novamente em uma cesárea. Alguns dias após o nascimento, na consulta com uma das PE que o acompanhará, a mesma me disse que não acreditava que eu tinha conseguido parto normal na tal maternidade, pois lá só se faz cesárea, e disse que os filhos dela também haviam nascido de parto normal, com isso, acabei descobrindo que muito mais gente do que eu imaginava haviam parido via vaginal, espero com a conquista do VBAC mudar o conceito das mulheres de minha família, em especial das minhas irmãs que ainda vão parir um dia na vida, fundamental sabermos que podemos sim ser capazes disso. Se eu fosse ter um terceiro filho, certamente lutaria por um parto natural sem intervenções, mas o que posso dizer é que valeu a pena sentir cada contração que me levava ao encontro de mais um sonho tão esperado, meu caçulinha.







5 comentários:

  1. Chorei litros.. Que lindo relato, que guerreira e que destino lindo vc teve!! Parabéns para a família e principalmente para vc...

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  2. Thanira B Moreira2 de maio de 2013 13:12

    Liiiiiiiiiiiiiiiiindo!!! parabens amiga!!!

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  3. Lindo relato, fiquei emocionada! Vc me fez chorar e muito!!! Parabéns por essa conquista tão linda!!!

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  4. Suas lindas, muito obrigada pelo carinho. AMO muito!

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  5. Lindo relato do te parto, é tão gostoso lembrar estes momentos! Nossa e adorei as fotos tb.. no parto da minha filha meu marido ficou tão emocionado que esqueceu de tirar fotos tu acreditas!!! Sim,, fiquei com as fotos do quarto mesmo... ehehe
    beijosss

    http://antonellaesuaboneca.blogspot.com.br/

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