quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Mais um pouco sobre depressão pós-parto - by Cris Mara (convidada)

Hoje trazemos para nosso cantinho uma novidade: a Cristina Mara, psicóloga, vai nos brindar com alguns posts sobre assuntos de gravidez, com a visão do especialista.

Para muitas mulheres a gravidez é motivo de alegria e a chegada do bebê é algo muito mágico. É a realização de um sonho: ser mãe. Mas, por que algumas mãe ficam tristes, irritadas e desanimadas no pós parto? Até que ponto isso é somente uma tristeza ou é uma depressão pos-parto?

Muitas mães após darem a luz, na volta para a casa onde todos estão felizes com aquele bebezinho tão fofinho. Aos poucos a mãe fica triste, irritada e desanimada  com pequenos acontecimentos. Às vezes recusa receber visitas. Fica de mau humor. As noites mal dormidas provocam ainda mais esses sentimentos. Podem acontecer discussões com o marido que diante de tantas mudanças na rotina não consegue entender porque a esposa está assim.

Se esse sentimento for passageiro, em torno de 2 ou 3 semanas após o parto, podemos considerar que esta mãe está com uma tristeza mais acentuada. A gestação é um período onde os níveis de hormônios estão bastante altos. Após o parto esses níveis reduzem bruscamente e o sistema nervoso da mãe pode ficar um pouco abalado. Porém, isso não é o único fator. Os sintomas associados ao humor e as emoções são multideterminados. Não podemos dizer que os níveis dos hormônios são os únicos responsáveis pela variação do  humor da mãe no pos-parto. Isto pode justificar a tristeza que algumas mãe possuem no pós-parto, chamada de tristeza puerperal. Isto não é depressão pós-parto.

A depressão pós-parto é uma tristeza enorme acompanhada de muita irritabilidade, falta de animo para as atividades mais básicas do dia a dia como (arrumar a cama, recolher o lixo, etc) e dura muito mais que 2 ou 3 semanas pós-parto. Há uma falta de interesse em tudo o que a cerca: ver TV, receber amigos em casa, tomar banho, cuidar da casa e por consequência cuidar do bebê. A mãe cuida menos do bebê, amamenta-o menos e não o estimula suficiente emocionalmente, como pegar no colo, acarinhar, beijar e brincar com ele. A mãe pode apresentar sonolência excessiva, falta ou aumento de apetite, desinteresse pelo marido (sexual) e desinteresse para o retorno ao trabalho, no caso de licença-maternidade.

A tristeza que a mãe apresenta não é somente uma tristeza porque não consegue cuidar do bebê ou porque não é uma mãe suficientemente boa. É uma tristeza relacionada com outros contextos da vida. A mãe com depressão pós-parto pode ter tido depressão antes da gravidez e mesmo durante a gravidez. Talvez porque parou de tomar os medicamentos devido a gravidez ou não. Há muitas pessoas que iniciam o tratamento medicamentoso para a depressão e interrompem espontaneamente. Isto não é aconselhável.

Observamos que devido a mudança de rotina após a chegada do bebê numa família a depressão pós-parto pode passar despercebida. Cabe ao marido, aos parentes e amigos que frequentam a casa ficarem atentos as mudanças no comportamento da mãe. A falta de sono provoca mudanças no comportamento por algum tempo, mas a depressão pós-parto persiste por um tempo maior interferindo na vida do dia a dia.

A depressão pos-parto precisa ser tratada com medicamentos e psicoterapia. O profissional competente para medicar a mãe com sintomas de depressão pos-parto é o medico psiquiatra. E o profissional para a psicoterapia poderá ser o próprio medico psiquiatra que possui especialização em psicoterapia ou um psicólogo.



Cris pela Cris:
"Meu nome é Cristina Mara Pereira Antunes. Sou mãe de um garotão com 6 anos de idade (quase 7!!!), dona de casa, motorista particular, etc e etc, e psicóloga. Duas coisas importantes e imprescindíveis na minha vida: meu filho e a psicologia. Não consigo viver sem os dois. Cada um com suas intensidades diferentes. Sou formada desde 1994 e sempre trabalhei com crianças. Trabalhei com psicomotricidade em uma escola, com crianças que moravam em vilas e favelas e com a clínica infanto juvenil. Nos atendimentos clínicos aprendi o que sempre escutava na faculdade: "a clínica é soberana" (sic), porque é no contato semanal com o paciente que tentamos desvendar os mistérios do consciente e do inconsciente. É na clinica que realmente conseguimos colocar em pratica o que aprendemos como teoria. E eu gosto disto. Não sei viver sem... O atendimento infantil envolve um emaranhado de fatos. Envolve a criança em si, claro, mas também os pais, familiares, escola e todos aqueles que convivem com a criança. 
Eu sempre tive um sonho além de ser mae e psicóloga: Escrever. Mas sempre tive receio principalmente quando aprendi com um orientador de especialização que "quando a gente escreve um texto, ele nao nos pertence mais. Ele pertence aquele que lê (sic)".  Fui tocada por esse pensamento e sempre que escrevo me preocupo com isso. Preocupo porque quero dar o melhor de mim para aquele que lê. 
Viver cada dia como se fosse o ultimo tem sido um dos meus pilares. Principalmente quando se passa por um trauma/tragédia como eu passei. E somado a isso tudo um questionamento existencialista me ronda desde que me tornei mae: como transformar meus ensinamentos, regras, alegrias e tristezas em algo que meu filho possa se orgulhar de mim e ele com isso possa se tornar um homem do bem. 
Feliz, muito feliz pela oportunidade de escrever neste blog e colocar sonhos em pratica. 
Beijos, Cris

2 comentários:

  1. Parabéns, Cris, que Deus continue lhe abençoando. Sempre vou ler suas matérias. Bjss

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  2. Parabéns pela força, pela coragem e principalmente pela volta por cima. Viver é isso: saber lidar com os altos e baixos da vida e seguir em frente. Sempre. Vc sabe o quanto gosto de vcs... Bjs, Nathalia D. M. Takeda

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