quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Relato gravidez com parto natural na água - by Eliza Yamashiro (Mamis Convidada)

Recebi este relato de uma amiga do fórum do e-family, a lizay, que nos contou como foi a sua gestação e o seu parto natural na água no dia 23/12/11. Vamos conhecer esta história juntas?

"Tudo começou há alguns anos atrás, mas a coisa começou a ganhar forças mesmo em dezembro de 2010. Decidimos viajar aos EUA já pela segunda vez. Durante a viagem, acabamos comprando algumas coisinhas para bebês já que desde nosso casamento em julho do mesmo ano havíamos decidido que 2011 seria o nosso ano. Voltamos de viagem em janeiro de 2011 e decidimos parar o anticoncepcional que eu já vinha tomando por 8 anos. Minha Ginecologista na época era a Dra Patrícia, que logo foi avisando que poderia demorar para engravidar até 1 ano, o que era perfeitamente normal. Com a notícia, fiquei meia chocada, mas, tinha a certeza que minha espera não ia ser tão grande. 

Em fevereiro, menstruei e começamos a tentar. Março veio o primeiro Não. Foi um choque, pois parecia que já deveria ter dado certo. (no 1mês? Calma Dona Eliza). Menstruei dia 17/03/2011. Não me esqueço. Havia atrasado 3 dias. E eu já havia comprado 2 testes de gravidez que deram negativo. Bem, pensei, vamos em frente. Dia 23 de abril do mesmo ano, era Páscoa, e fomos passear em São Paulo na casa da família do meu esposo. Após irmos no teatro do Musical Mamma Mia cheguei em casa e fiquei mau. Bem, achei que fosse a coxinha que havia comido. Estava atrasada há 1 semana, mas, antes de viajar já atrasada, liguei para a Dra Patrícia e ela disse pra eu esperar, pois era normal se desregular no começo. Ok. Minha cunhada Andreza pediu ainda em SP pra eu fazer o teste. Eu estava certa de que não estaria grávida. Certa, porém com um fundinho de esperança. 

No domingo, na estrada para o aeroporto de Congonhas pedi para meu sogro parar pra eu comprar um remédio pra gripe. Estava começando um resfriado. Meu esposo desceu comigo no Shopping Butantã, paramos e eu disse pra ele: e se eu estiver grávida?. Foi aí que na farmácia ele pediu, o que ela pode tomar, ela está grávida. Olhamos um para o outro e demos uma risadinha. A farmacêutica perguntou de quanto tempo, e nós respondemos rindo novamente, está no começo. Então ela somente me receitou própolis. Bem, com isso, tomei realmente só o própolis, pois se eu estivesse mesmo grávida não prejudicaria meu bebê. Chegando em Nova Trento, não tinha mais nenhum episódio de enjôo, e podem acreditar, aquele foi o único na gravidez toda. 

Segunda-feira de manhã já estávamos apreensivos mas ainda calmos. Liguei para Dra Patrícia, eram 9 dias de atraso e ela me disse pra eu fazer o teste, que não custaria nada. As 16h daquele dia, eu estava sentada no banheiro, fiz o teste e dei de cara com as duas tirinhas vermelhas, BEM fortes. POSITIVO, eu estava grávida! Chorei de felicidade, mas e agora? Como vou avisar a todos? Todos já sabiam que estávamos tentando, mas... Liguei para Cida (uma amiga minha que trabalha na loja da minha mãe) e disse: Cida, me escuta, tenho 2 chás de bebês pra ir, preciso de 2 pares de sapatinhos de lãs bem bonitinhos pois minhas amigas que estão grávidas. Esqueci que o chá era hoje, corre la e compra pra mim. 

Liguei para Clayton e disse: Amor, to me sentindo mau, a dor de cabeça está muito forte, vem agora pra casa. (ele já desconfiou) Cida trouxe os sapatinhos, ela já estava desconfiada, mas fiz de conta que não era nada e agradeci. Clayton chegou, e eu lhe dei um pacotinho de presente com um papelzinho dentro escrito: Esse é o fruto do nosso amor. Você vai ser PAPAI! Ele chorou, eu chorei, e choramos juntos por alguns minutos. A Felicidade brilhava em nossos olhos e nossos corações palpitavam ainda mais. Falei pra ele que devíamos contar para meus pais, pedi para descermos na loja, pois como minha mãe faria aniversário dia 27, iria dizer que não segurei a emoção e tinha de dar o presente antecipado. Chamei meu pai, junto a ela, na loja em meio a todos, ela abriu o pacotinho que também fiz para ela e lá estava: Parabéns, vocês serão vovós!!! Todos ficaram muito contentes. 

Em seguida, ligamos para meus sogros em São Paulo, e eles choraram (meu sogro é oriental e não chora por qualquer coisa) (mas o Kauã não é qualquer coisa), e ficamos emocionados também. Bem, começaram aí todo mês as consultas. No fim do terceiro mês, minha obstetra disse que pra eu continuar com ela só se eu fizesse cesárea, pois ela iria viajar um pouco antes do nascimento. Pensei, e decidi que seria melhor eu mudar de obstetra e continuar com este até o fim. Foi então que conheci o Dr Paulo. Dr Paulo faz partos humanizados, e nós sempre víamos na TV, no canal Dr Home and Health, os partos na água. Amei. 

Visitamos o Hospital Dom Joaquim em Brusque, conhecemos a sala de parto e decidimos optar por ele. Nisso também conhecemos a Doula Rachel. Dr Paulo é o tipo de médico bem tranquilo, que deixa a natureza fazer o trabalho dela seja lá onde estiver. Esse foi o problema. Fiz todo o acompanhamento com ele e com a Doula Rachel que me acompanharia para massagens e tudo mais no dia do parto. Eles não faziam propriamente dito o parto na banheira, mas eu havia combinado com Rachel que na hora “H”, me deixaria ter o bebe dentro da banheira. No final de minha gestação, que posso dizer, foi uma gestação super tranquila, não enjoei, não tive pressão alta, não tive anemia nem nada, no final, 3 semanas antes da data prevista, o hospital resolve dizer que iria fechar 3 dias antes da minha data que completaria 40 semanas. Fiquei desesperada, cheguei a entrar em trabalho de parto, porém não evoluiu de tanta vontade que eu tinha de ele nascer antes do hospital fechar. 

Durante um dos cursos que tínhamos com as gestantes, nós colocamos que uma das coisas que nos fez fechar com a equipe era o hospital, o ambiente que proporcionava, e a banheira que era meu sonho. Dr Paulo começou a tentar me acalmar, dizendo que na hora que eu estivesse quase ganhando, nós daríamos um jeito. Pedi a ele pra induzir o parto, e ele disse que se eu induzisse eu ia acabar na cesárea. Pedi se não tinha nenhum jeito de induzir sem acabar na cesárea e ele havia dito que não. Não consegui aceitar nada disso. Não tive um pingo de culpa se o hospital fechou. Pode ser que o médico também não tenha tido, porém foi isso que ele me “vendeu“ durante toda a gestação. Meu sonho estava indo por água abaixo. 

Devo ter deixado todos “loucos” por causa disso, e nisso minhas contrações, chamados de pródrumos as vezes aceleravam parecendo estar entrando em trabalho de parto, e aí, paravam novamente. Dia 20 de dezembro, numa terça-feira, fui a minha consulta com o Dr Paulo em Brusque para ver o que seria de mim. E ele, nada. Me enrolava, chegou a cogitar de fazermos o parto em casa, já que minha gestação foi excelente, ele não via problemas nisso. Aí paramos e Clayton disse: Não Dr, definitivamente não. Não temos UTI Neo natal em toda região caso aconteça alguma coisa, e não temos estrutura por perto caso precise. Não que não confiávamos no trabalho do Dr Paulo, mas era nosso primeiro filho e não queríamos correr risco algum. Bem, comecei a ver quais outras possibilidades eu tinha e foi aí que eu vi que poderíamos ir para a Clínica Jane, ou melhor, Ilha Maternidade. Era isso. Vamos para Florianóplis que nosso filho irá nascer lá. 

Clayton entrou em férias no dia 21, na quarta-feira, e nesse mesmo dia fomos a Florianópolis. Chegando lá por volta das 17h, consultei com a Dra Juliana, que era um amor de pessoa. Ela se comoveu com nossa história, disse que adoraria fazer meu parto, mas que o plantão dela acabaria as 14h do dia seguinte e que se eu não tivesse até lá e eu teria de ficar com o próximo médico, o Dr Luis Henrique. Foi então que pedi a ela se ele era bom, pois senti muita confiança nela. Ela nos disse que ele era um amor, e que era super a favor do parto normal. Fiquei muito Feliz. Ligamos para o primo do meu esposo, Adriano, e ficamos no Apto dele. Novo, ninguém havia usado ainda, os móveis nem estavam lá. Tinham acabado de colocar a cama, mas mesmo assim, ele nos emprestou com todo carinho. Saímos da maternidade em direção ao apto, antes, passamos no supermercado para comprar nossa janta, já que havia geladeira para deixarmos alguma coisa dentro. Comemos no apto mesmo e fomos dormir. 

Quem disse que eu dormi? Dra Juliana havia dito naquela tarde que eu estava com 2cm de dilatação. Pensei nisso por horas. Acordamos as 7:30h da manhã do dia 22 e fomos a Maternidade. Chegando lá, esperamos até as 14:00h para ser atendidos. Eu estava cansada, com fome, sem comer nada o dia todo. As 14h fomos atendidos pelo Dr Luis Henrique, que ficou super feliz, pois era ele que iria fazer nosso parto. Ele nos pediu minha ultima ultrassom. Porém o Dr Paulo havia me pedido a última com 5 meses, e ele disse que não tinha nem noção com aquela US de como estaria o bebê. Levou-nos a sala de ultrassom e ele mesmo a fez pra ver se tudo estava certo. E estava. Liguei para Rachel para dizer onde estávamos e para ver se ela poderia vir nos auxiliar. Ela disse que não poderia, mas acabou indicando uma outra Doula. A Doula que ela indicou se chamava Carol, e foi com ela, com essa anjinha divina, que ficamos até o fim. 

Usando a bola para ajudar o encaixe do bebê.
Quando ela chegou, ela tinha recém chego de uma festa, foi pra casa trocar seu vestido, e voltou após ao hospital para nos assistir. Conversamos um pouco a respeito do parto e vi que seu conhecimento sobre o mesmo era imenso, e sua tranquilidade me passava um alívio tremendo. Isso já era 17h da tarde. Ele nos pediu para irmos até o shopping Iguatemi para tomarmos um bom lanche e voltarmos por volta das 18h para dar entrada no quarto. Eu estava com algumas contraçõe,s mas fomos lá, comi um lanche e um suco e voltamos para o hospital. Dei entrada no quarto, colocamos as malas num canto, e subimos para o andar que tinha a sala de parto. A Doula Carol chegou, e perguntei a ela se ela não achava melhor fazer uma cesárea já que o bebê ainda estava bem alto. Ela pediu pra eu não desistir do parto, pois tudo seria maravilhoso e tudo daria certo, que eu já estava progredindo pra eu não desistir. Dei ouvidos ao que ela falou e lá começamos a trabalhar. 

Entrei na sala de parto, o Dr Luis chegou e como havíamos combinado, iriamos induzir mas com pouquíssimo soro, seria mesmo só pra não parar as contrações . Eu estava com 4cm de dilatação. Começavam um pouco das contrações. Carol me ajudava com várias massagens, posições na bola, formas de andar, de agachar. Fizemos muitas coisas que tenho certeza que influenciou muito em todo trabalho. Entrei na banheira com 6cm. Daí até os 9cm foi um pulo. Clayton chegou a dormir na maca que havia no quarto, pois estávamos exaustos do dia anterior, porém eu não podia desistir. Durantes os intervalos de contrações cheguei até a cochilar. As dores começaram mesmo ao meu ver quando estava aproximadamente com uns 7cm pra 8cm. Na verdade, começaram a ter intervalos menores e ficar um pouco mais intensas. 

Na banheira, durante as contrações.
Quando era 23h do dia 22, Dr Luis veio ao quarto novamente para ver com quanto eu estava. E estava com quase 10cm de dilatação, porém meu bebê ainda estava alto, e ele disse que poderia demorar ainda um pouco. Solicitei então anestesia, um bloqueio, leve, que eu conseguisse andar tranquila, seria só para aliviar enquanto o bebê descia. Esse bloqueio tinha duração de 2h. Nesse tempo, esperávamos que o bebê fosse nascer. Tenho um vídeo a 1h da manhã do dia 23, com meu esposo dizendo, dentro de minutos o Kauã estará conosco. Continuamos com as massagens, dentro da banheira, e durante as contrações eu comecei a cantar, pedia para que meu bebê viesse até mim, que estávamos esperando para vê-lo, para abraça-lo, senti-lo, que queríamos que ele nascesse para que viesse para meus braços, para nos conhecer, para mostrar o seu rostinho perfeito. Enquanto isso, Carol e meu esposo choravam de emoção. Era 1:30h, havia passado o efeito da anestesia. Bem, tudo bem, já deve estar pra nascer não é? 

Receber o apoio do marido é essencial.
Que nada. Ele queria é ficar mais um pouquinho só no conforto da minha barriga. Continuei dentro da banheira, me levantando algumas vezes e abaixando novamente. A água me aliviava. Quando era perto das 5h da manhã, Carol chamou o médico, pediatra e enfermeira e os avisou que estava prestes a nascer. Dr Luis Henrique deixou que ela tomasse realmente conta de mim enquanto estava em trabalho de parto. O Kauã estava chegando. Carol me dava palavras de conforto, de alívio. E meu esposo estava aí, do meu lado, me ajudando. Eu olhava nos olhos dele, ouvia a voz dele e o seguia. 

Durante a coroação, somente ouvia a voz do meu esposo, dizendo, ta saindo amor, ta nascendo o nosso Kauã. Ele é cabeludinho. Que emoção... O Dr Luis me pedia pra eu fazer força durante a contração somente, para que eu também não me desgastasse. Ouvi a todos. O Kauã nasceu em 2 contrações. Foi 4 min o tempo dele querer coroar e sair totalmente para meus braços. Nasceu o pequeno grande Kauã, com 3.150Kg, 47,5cm. Um japonês lindo, que veio para meu colo dentro da banheira, e ficou comigo por pelo menos 10min. Papai cortou aí mesmo o cordão, e comemoramos todos juntos sua vinda para o mundo. 

Kauã nasceu e já mamou!!
Kauã deu seu primeiro chorinho, a pediatra colocou-o para pesar e nada o fazia parar. Papai foi ao seu lado, e Kauã já acostumado com sua voz, ouviu papai pedir para que ele ficasse tranquilo e calmo, pois o papai estava aí ao seu lado e não o deixaria mais. E ele olhou para o papai e imediatamente parou de chorar. Todos que estavam aí ficaram muito felizes. Todos nos parabenizaram pelo nascimento do pequenino. E eu, mesmo que na noite anterior sem dormir, no dia 22 sem comer praticamente o dia todo, cansada, a madrugada do dia 23 inteira com contrações, eu estava mais forte do que nunca, para abraça-lo e chama-lo de meu amor. Quando foi 6h da manhã desci para o quarto com o pequeno em meus braços. Já de banho tomado e pronta para a próxima se precisasse. rsrs 

Carol foi descansar, e voltou para me visitar a tarde. Passou mais um tempo comigo e eu a agradeci por tudo. Principalmente por estar aí, comigo, por me ajudar, no dia em que eu mais precisava. Clayton sempre foi e sempre será o homem da minha vida. Não teria conseguido sem ele. Ele é meu porto seguro, ele é o som, a luz, a verdade que me guia a cada momento da minha vida. Dr Luis Henrique, Que ficou comigo das 14h do dia 22 até as 07h do dia 23. Passou a noite em claro, aguardando o sinal. Me apoiou na hora em que eu mais precisei me dando a coragem de não desistir. A enfermeira Cida, a Pediatra que esteve presente e a todos que me receberam com todo amor e carinho. 

Nunca esquecerei de cada momento vivido nesse grande dia. Todos formaram uma equipe de anjos que me iluminaram para que tudo saísse como no meu sonho, sonho esse que se TORNOU REALIDADE! Agradeço a todos, do fundo do meu coração. E agora, aguardamos os próximos... 

Sobre a da recuperação: com 4 dias fomos caminhar na praia pra vocês terem uma idéia!!

Beijos,

Eliza" 

Eliza Yamashiro, empresária, tem 22 anos, casada com Clayton, 32anos, moram em SC. O hobby da família é viajar. Tem um filho chamado Kauã e já estão começando a planejar o segundo, e mais tarde o terceiro.


Muito emocionante não é mesmo? Como foi seu parto? Envie-nos a sua experiência para ajudar outras mamães ansiosas por saber como foi com você.

Um comentário:

  1. amei toda a história, também me interesso bastante por esse tipo de parto.

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