terça-feira, 20 de novembro de 2012

Relato de mãe - Autismo (parte 2) - by Michele (Mamis Convidada)

Ontem, nossa amiga e leitora Michele Santos começou a relatar, como mãe, como foram seus dias quando a possibilidade de que seu filho Pedro  fosse autista. Como o relato é um pouco grande, ele foi dividido em dois dias. A primeira parte foi publicada ontem a segunda hoje. As Mamis Alininha e Roberta Groba cederam seus espaços para a divulgação desse assunto tão importante, mas voltam a conversar conosco mês que vem! =)

Ainda faltava a terceira especialista, Dra. Carla Gikovate, que possui 23 anos de experiência em autismo. A consulta era particular, mas mesmo assim resolvemos pagar afinal, era a vida do nosso filho e quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maior chance a criança tem de levar uma vida "normal", ou seja, ser alfabetizada, fazer faculdade, constituir família, etc. Estima-se que 80% das crianças em que o diagnóstico é feito até os 3 anos conseguem se alfabetizar, estudam em escolas regulares no mesmo nível de crianças da sua idade, sem dano algum no aprendizado. Apenas 25% dos autistas são não-verbais, ou seja, não falam. Então valia a pena o investimento afinal se fosse mesmo autista, queríamos iniciar o tratamento adequado pra que nosso filho mantivesse o ritmo de desenvolvimento que ele tinha e que havia sido confirmado que não havia atraso cognitivo nem motor.

http://stopautismo.blogspot.com.br/

Conseguimos a consulta e quando a médica passou por nós na recepção, o Pedro estava brincando de pique-esconde conosco, se escondendo atrás das cadeiras. Também apontava para os desenhos dos quadros e pediu água. Quando entramos no consultório, ela perguntou sobre a gestação, o parto, o que observamos no primeiro e no segundo ano. Fez as anotações e a partir daí, sentou no chão com o Pedro pra observá-lo. Primeiramente ela buscou o contato ocular. Autistas geralmente não olham nos olhos ou não sustentam o olhar. O "olhar" é um poderoso meio de comunicação e como os autistas possuem uma certa falha na comunicação se assim podemos dizer, inicialmente eles evitam o contato ocular, embora isso seja recuperado depois na terapia. Ele logo aceitou a presença dela, interagiu, pegou um cubinho e disse pra ela "pixi" e nem eu tinha notado que dentro do cubo havia um peixe. Em poucos minutos ela já nos confirmou que NÃO era autismo! Apesar do alívio inicial, somos muito críticos mesmo e começamos a questionar porque não era se ele enfileirava objetos, girava a roda do carrinho, girava em volta do sofá e ela foi explicando cada aspecto.

Ela disse que é normal as crianças até 3 anos girarem, ressaltou que até os filhos dela giravam, e eles fazem isso porque gostam da sensação de ficarem tontos. Falamos então que ele enfileirava objetos e ele o fez na frente dela. Ela bagunçou os objetos e ele retornou pra ela com um sorriso e ela disse que uma criança autista ficaria brava com a desorganização feita pela pessoa que está brincando com ela. Da mesma forma, falamos que ele empilha os brinquedos e ela empilhou com ele e derrubou tudo. Quando derrubou, ele aplaudiu. Ela disse que aí estava a diferença pois a criança autista não aceita que derrubem suas torres, da mesma forma que desorganize o que ela enfileirou pois costumam ser extremamente metódicos. Estou falando aqui de comportamento de crianças do espectro autístico no MOMENTO do diagnóstico, sintomas e características que podem levar os pais a desconfiarem de que seu filho possa ser autista, pois todas essas estereotipias são perdidas ao longo do tempo com o tratamento adequado.

Não escondemos nenhum detalhe dela. Também falamos do interesse dele por letras e número (boa parte dos autistas apresentam grande interessa por letras e números e são hiperlexos, ou seja, aprendem a ler e a escrever muito cedo, alguns por volta dos 2 anos e meio a 3 anos de idade) e ela disse que embora ele gostasse muito de letras e números, ela sabia que isso se devia à grande exposição diária que ele tinha pela televisão. Não indicou nenhuma terapia mas como falamos que ele já estava na fono, ela decidiu mantê-lo afim de trabalhar melhor o contato visual e interação social dele. E foi enfática: televisão apenas 1 hora por dia.

Uma outra decisão que tomamos e foi fundamental foi de não comentar nada na escola. Não porque queríamos esconder deles mas sim porque queríamos saber o que eles iriam nos reportar. A escola geralmente percebe os comportamentos atípicos e relatam isso aos pais. O Pedro começou a estudar no dia 03 de setembro e a consulta foi no dia 19 e nada foi reportado. A neuro disse que acertamos nessa decisão porque de fato se você fala de antemão, a escola já tende a olhar diferente.

Perguntei diversas vezes se ela tinha certeza que não era autismo e ela disse que tem "apenas" 23 anos de experiência no assunto. Até antes de nos cumprimentar na porta para sairmos eu perguntei: então não é mesmo né? Rs Ela afirmou que não era e que ela mesmo ficaria surpresa se ele desenvolvesse, algo que eu pensei que pudesse acontecer.

O que quero relatar aos pais, independente de não explanar muito sobre o autismo, é que busquem o diagnóstico com profissionais QUALIFICADOS para não serem enganados como nós quase fomos e para buscar o tratamento ideal caso o diagnóstico seja confirmado. Consultas particulares são caras mas a resposta certa a respeito da saúde do nosso filho, não tem preço.

Não estou aqui fazendo marketing da Dra. Carla Gikovate, mas como é uma profissional que eu indico, e sei que muitos pais procuram indicação, eu citei o nome dela. Pra quem quiser maiores detalhes, o site dela é www.carlagikovate.com.br. O site é repleto de artigos sobre autismo e no currículo existem outras publicações dela que são super importantes.

Volto a dizer que estou relatando aqui a experiência vivida pela minha família. De repente algum pai ou parente de criança que está no espectro ou até mesmo profissionais discorde do que foi dito mas não sou profissional da área, estou relatando o que vivemos.

Se um dia você pai, mãe, tiver alguma dúvida, não hesite em procurar um bom profissional que lhe tire todas as dúvidas. O autismo não é raro, existe maior incidência entre os meninos, acredita-se que até os 3 anos a criança já apresenta diversos sinais de autismo portanto se você desconfia de algo, não espere, AJA.

Beijos,

Michele

4 comentários:

  1. Mi, esse tempo de angústia deve ter sido o ó. Que bom que o resultado foi promissor e que bom que vocês conseguiram a consulta com essa especialista rapidamente!! Beijocas no Pedro!!

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  2. Lembro bem de toda a sua busca Mi... Parabéns pelo post... bjs

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  3. Aconteceu o mesmo comigo, a mania de girar rodas, números, a falta de contato cm outras crianças etc etc etc ela também disse que não era altismo...
    Quase chorei de felicidade.

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  4. Que ótimo! Foi com a Dra. Carla também?

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