segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Relato de mãe - Autismo (parte 1) - by Michele (Mamis Convidada)

Nossa amiga de longa data e leitora Michele Santos nos enviou este post sobre Autismo e nos conta como foi a experiência dela, como mãe, quando a possibilidade de que seu filho Pedro fosse autista rondou seus dias há algum tempo. Como o relato é um pouco grande, dividimos ele em dois dias. A primeira parte será publicada hoje e a segunda, amanhã. As Mamis Alininha e Roberta Groba cederam seus espaços para a divulgação desse assunto tão importante, mas voltam a conversar conosco mês que vem! =)

O Brasil precisa conhecer o autismo (parte 1) 

Essa frase não é minha mas retrata bem o sentimento de diversas pessoas, principalmente pais ou parentes de crianças autistas, de que o autismo seja mais conhecido e divulgado no Brasil e no mundo, afinal, o autismo não é raro. Estima-se que no Brasil haja mais ou menos 2 milhões de autistas. Começamos a conhecer o autismo quando surgiu a possibilidade de nosso filho Pedro estar dentro do espectro autístico.

O assunto é bem amplo, existem diversas linhas de pensamento mas vou relatar pra vocês a experiência que tive como mãe, o que aprendi lendo ou em contato com pais de crianças autistas enquanto fazíamos uma verdadeira peregrinação atrás do diagnóstico. Talvez eu faça mais de um artigo pra que esse não se estenda muito, pois optei por divulgar mais a nossa história e o que vivemos do que teorias de especialistas porque já existem diversos artigos sobre isso na internet.

http://blog.cancaonova.com/
Bom, quando o Pedro completou mais ou menos 18 meses, notamos alguns comportamentos "atípicos" nele. Meu esposo foi o primeiro a notar que o Pedro não atendia todas as vezes que o chamávamos. Até aí achei "normal", pois às vezes as crianças nos dão uma bela ignorada mesmo rs. Após algum tempo, o Pedro começou a girar no centro da sala, em volta do sofá, girava a roda dos carrinhos e começou a alinhar objetos (controle remoto, carrinhos). Não fazia isso por muito tempo, mas começamos a ficar preocupados. Inicialmente descartamos a possibilidade, pois apesar desses movimentos repetitivos – estereotipias – ele se comunicava muito bem, mantinha contato ocular, apontava, dava tchau, ou seja, mantinha uma boa comunicação conosco. Quando se fala em autismo logo imaginamos uma criança isolada no mundo "dela", não é verdade? Até que em contato com alguns amigos e pais de crianças autistas, aprendemos que existem diversos graus de autismo, leves ou mais severos, verbais ou não-verbais, os que são alfabetizados e os que não são, os que têm inteligência acima da média, como diversas personalidades da nossa história que hoje em dia desconfia-se que eram autistas, assim como existem outros que apresentam atrasos e até retardo mental. Foi aí então que começamos a realmente conhecer o autismo.

O diagnóstico deve ser feito por um psiquiatra ou neurologista infantil. O diagnóstico é clínico, o que o torna ainda mais difícil, pois não existe exame para confirmar o autismo. Por isso todo esse processo é tão difícil e desgastante para a maioria dos pais porque infelizmente não existem muitos profissionais capazes de fazê-lo. Decidimos então levar o Pedro em 3 especialistas, pois já que não é um diagnóstico fácil, não dá pra confiar em apenas um profissional, por melhor que ele seja. Em abril então começou a nossa peregrinação.

Os dias que seguiram foram totalmente nublados, difíceis, uma dor no peito que parecia nunca ter fim! Graças a Deus tive apoio de diversos amigos, amigos do trabalho, meu chefe que super compreendeu minhas faltas até que eu buscasse ajuda médica pra suportar aqueles dias tão difíceis.

Ainda faltava a terceira especialista, Dra. Carla Gikovate, que possui 23 anos de experiência em autismo...

Continua amanhã.

3 comentários:

  1. Reflexões de Mamãe19 de novembro de 2012 12:32

    Puxa, sua história parece muito com a minha!! Estou ansiosa pra saber mais!!!

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  2. Opa, queria conhecer sua história. Já postou em algum blog?

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  3. Acompanhei tudo "de perto". Foi realmente um desafio encarar essa possibilidade de frente...tendo forças para ter atitudes praticas em favor do filho ao mesmo tempo com um coração de mãe dilacerado. Mas você venceu amiga. E estamos todos orgulhosos de você E DO PEDRO! E o texto esta otimo. Parabens!

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