quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A escolha do parto - a relação gestante x médico - by Camila

http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/
Estava navegando pelo e-family e me deparei com um tópico de mães revoltadas com os médicos que as acompanham durante a gestação, principalmente quando a escolha do obstetra se baseia em saber se ele(a) fará parto normal (leia-se vaginal aqui, ok?) ou não.

O que me surpreendeu foi a quantidade de desculpas dadas pelos obstetras, que já não se utilizam mais de "você não tem passagem", "sua bacia é muito estreita", "cordão está enrolado", e por aí vai. Quando pressionados, eles já avisam logo que não fazem parto normal uma vez que o plano de saúde não cobre, apesar dele ser conveniado e o plano de saúde cobrir sim, pois sabemos que Parto Normal está inserido no Rol de Procedimentos da Agência Nacional de Saúde, a ANS.

E fiquei mais surpresa ainda quando alguns citam uma tal de "Taxa de Disponibilidade", ou mesmo "Taxa de deslocamento", que varia de R$300,00 a incríveis R$10.000,00!!! E ameçam as gestantes, já emotivas como bem sabemos que ficamos, a terem seus filhos com médicos plantonistas dos hospitais que elas querem ter seus filhos. Nada contra médicos plantonistas, longe de mim, mas e o fato de você querer ter um vínculo com um médico que vai te acompanhar num dos momentos mais lindos de sua vida? De que adianta você fazer mais de 12 consultas pré-natais com um obstetra, se quem vai te atender é outro?!

Eles alegam que, por Lei, "não há norma de obrigatoriedade para que o atendimento relacionado à gravidez seja realizado pelo mesmo profissional desde o pré-natal até o parto, como confirmou que caso a paciente deseje realizar o procedimento exclusivamente com o médico que acompanhou o seu pré-natal, não haverá obrigatoriedade de cobertura pela operadora, devendo o pagamento desse procedimento ser por ela custeado." Fonte SOGESP.

E no site o Bonde, a diretora da Sogipa (de 2011) (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Paraná) avaliou: "Os estados de Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro, já cobram dos pacientes a taxa de disponibilidade para o obstetra não plantonista. Lá ocorreu uma mudança de cultura e o usuário entendeu a motivação da taxa".

Como faz aquela mãe que quer ter filho de parto normal, já sua a camisa para pagar mensalmente um plano de saúde e ter acesso a um bom hospital (quando deveria receber isso do governo), e que não tem o "por fora" para dar ao médico? Ou ela se submete ao plantonista ou ao SUS, que sabemos não andar "bem das pernas" em muitas cidades brasileiras.

Será que nos resta apenas abaixar a cabeça, pagar essa quantia absurda, ou temos que pesquisar se ainda há médico neste país que não cobre tal taxa? Você conhece algum? Ajude a uma mamãe perto de você divulgando o nome do "santo" nos comentários. Ou será que nós não temos o "poder" de mudar a normativa da ANS e tornar obrigatório que o mesmo médico que nos acompanhou no parto deva fazer nosso parto? Claro, com exceção de casos de emergências.

O que você fez? Qual caminho você escolheu? Rendeu-se à cesárea? Fez com o plantonista? Mudou de Obstetra? Partiu para o SUS ou uma Casa de Parto?

Para verificar a cobertura do plano, clique aqui
 
Se você quiser saber mais, entre em contato com a ANS, clicando aqui.
Leia mais em: Gazeta do povo, ISaúde.net, Bonde.

UPDATE (22/01/2013): Plano de saúde: cobrança de adicional para parto só com alteração de contrato, diz ANS.

UPDATE (24/01/2013): Médico que cobrar taxa extra para parto natural será punido, diz ANS.

7 comentários:

  1. Esse é o tipo de pergunta que se faz logo na primeira consulta. Assim da pra mudar de medico se a gravida perceber a falta de afinidade. O meu foi show, medico como poucos nesse pais. Aliás, esse é o problema hoje em dia, os médicos já não são mais como médicos de verdade, como antigamente.

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  2. Pois é, Aline, mas tem médico que esconde o jogo até os 45 minutos do segundo tempo... Aí, ninguém merece... =(

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  3. Caramba, não sabia que cobravam pela tal disponibilidade... que absurdo!

    A minha GO tentou me convencer que o PC era melhor, mais seguro, que se tivesse hemorragia já estava "aberto" mas persisti no PN. Entrei em TP mas não saí dos 2cm de dilatação rs como já tinha saído o tampão, ela disse que como eu queria PN esperaria até a noite, senão, faria o PC. Não evoluiu e acabei fazendo o PC mesmo. Mas antes do meu parto ela tinha feito um PN.

    Acho que se o médico não ta afim de fazer mais PN, deveria ser franco com as pacientes e não enganá-las ou cobrar por isso. Que falta de respeito e consideração!

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  4. O que nunca se comenta é que o obstetra recebe 200, 300 reais pelo parto, após horas de trabalho de parto, enquanto a família gasta uma grana com enxoval, quartinho de bebê, chá de bebê.... é muita distorção do que realmente é importante!!! acho muito justo a cobrança da taxa de disponibilidade, só não acho justa as cobranças abusivas. Os planos de saúde são o verdadeiro mal da medicina neste país, remunerando mal os médicos, criando um ciclo de atendimento ruim, isto as custas de cobranças astronômicas aos pacientes. Não vejo outra saída para o obstetra sobreviver com dignidade e uma qualidade de vida decente neste país.

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  5. Flávia, concordo com você. O que os planos pagam é abusivo, mas cabe ao médico descontar na gestante? Todos nós tínhamos é que reclamar com os planos e não um com o outro, correto?

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  6. Para sabermos das últimas notícias: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/estado/2012/12/03/ans-julgara-cobranca-de-taxa-para-medico-acompanhar-parto-normal.htm

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  7. Também não acho justo pagar por disponibilidade quando já pagamos o plano de saúde, que não é barato. Se o médico aceita pacientes com plano, ele sabe que paga pouco e deveria aceitar todas as condições. Ou então não faz o credenciamento, como é opção de alguns.
    Nesse caso, se eu não abrisse mão do PN, eu teria com plantonista. Pagar por fora eu acho abusivo. Ele sabia que isso aconteceria quando escolheu a profissão. Acho má fé cobrar extra por isso.

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