sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Os pré-conceitos de nossa mente - by Aline Martins

Ultimamente eu tenho andado meio pessimista. Pessimista com o mundo, com as pessoas sabe? Como nós, seres humanos somos podres por dentro, cheios de preconceitos. E como nós, mães, pais, contribuímos para que certos paradigmas e moralismos sem sentido sejam mantidos na sociedade, por décadas e às vezes centenas de anos.

Eu sempre adorei os contos de fadas. Acho as histórias lindas, e cheias de lições importantes para a nossa formação moral. Além do mais, estimulam a criatividade da criança, tão importante na infância e que gera reflexos inclusive na fase adulta. Os contos de fadas nos permitem sonhar. Sonhar com um mundo melhor, mais justo, nos permite ter esperança. Outro dia até li um artigo sobre isso, sobre como os contos de fadas ajudam as crianças a lidar com seus próprios medos infantis e a superar suas dificuldades, olha que legal.

E o FH está nessa fase. Eu conto historinhas pra ele, ele assiste os filmes, ouve as historinhas também na escolinha e ama. Curte mesmo, torce pelos personagens. Dentre as preferidas estão “os três porquinhos”, “a galinha ruiva”, “Branca de Neve e os Sete Anões” e “a princesa e o sapo”. Todas histórias lindas que eu tenho certeza que fizeram parte do imaginário de todos vocês, queridos leitores.

E por causa das histórias, FH se auto-intitulou príncipe, o que eu acho lindo, super fofo na verdade. Afinal, príncipes são bonzinhos, não choram por qualquer motivo, respeitam as mulheres e as pessoas de modo geral, são cavalheiros, educados e amorosos. Tudo que eu desejo sinceramente que meu filho seja. Eu espero mesmo que quando ele for adulto, ele seja um príncipe com as mulheres, saiba tratá-las com respeito que elas merecem.

Mas eu tenho ouvido algumas criticas por causa disso. Comentários de mau gosto do tipo: história de princesa não é coisa de menino. Seu filho vai virar gay desse jeito. Ele tem que gostar é do Ben 10 (olha eu e o Ben 10 em conflito de novo). E isso me deixa triste e revoltada ao mesmo tempo.

Em primeiro lugar, ele só tem 2 anos. Ainda não adquiriu o discernimento necessário para distinguir com clareza o que é de menino e o que é de menina. Na verdade, é agora, a partir dos 3 anos que essas diferenças ficarão mais evidentes e que a qualidade de gênero começa a se estabelecer. Quando ele estiver lá pelos seus 4 anos, isso se consolida e meninos e meninas passam a ter aversão um do outro (quem nunca viu a guerra dos sexos travada entre Luluzinha e Bolinha, ou entre meninos e meninas no filme “Os Batutinhas”?).

Ademais, achar que rosa é de menina e azul de menino, que menino só pode brincar de carrinho, de luta e de guerra, e que lugar de menina é na casinha lavando a louça e cuidando das bonecas é uma visão completamente ultrapassada. Ou vai me dizer você pai, que me lê nesse momento, que você nunca pegou numa vassoura pra varrer a casa na vida, que nunca precisou fazer comida, fritar um ovo que seja, nunca trocou fralda ou deu banho no seu bebê ou fez algum serviço doméstico? E você mãe, nunca dirigiu um carro, nunca trabalhou, ganhou seu dinheiro e teve vontade de matar um que te tirou do sério?

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Diferenças entre homens e mulheres existem sim, mas ligá-las ao serviço doméstico, à cozinha, ao ganhar dinheiro trabalhando fora é ultrapassado por demais. Dizer que meu filho vai ser ou não homossexual porque ele gosta de ver o príncipe lutando pra ficar com a princesa, cheio de coragem, é ter a mente pervertida demais. E cheia de preconceitos sem fundamento. Eu desejo de coração que meu filho seja feliz para sempre, como nos contos de fadas, e sinceramente, não acho que é a opção sexual de uma pessoa que determina se ela é ou não feliz. Eu nem penso nisso, porque eu quero que meu filho se torne um homem de bem, independente de qualquer coisa. Eu quero que ele tenha princípios, valores consolidados em seu coração, que ele respeite os animais, respeite as pessoas, e que aprenda a enxergar no outro ser humano o que ele é de verdade, sem se importar com a cor da pele, o dinheiro que ela possui ou com a preferência sexual. Porque independente de qualquer coisa, toda pessoa merece ser respeitada pelo que ela é.

E não sejamos hipócritas, ninguém deixa de amar um filho porque ele se tornou adulto e disse pra você que é homossexual. Ninguém deixa de amar um filho porque ele cresceu e não quis virar médico, ele preferiu cozinhar. Ninguém vai amar menos a filha que ao invés de querer casar e ter filhos, preferiu viajar pelo mundo, conhecer novas culturas. Conheço tantas mulheres felizes e realizadas sem filhos, do mesmo modo, conheço homens incríveis que largam tudo pra se dedicar a eles.

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O mundo mudou, minha gente, e quem não abre a cabeça pra isso, perde a oportunidade de ser feliz também, porque deixa de enxergar as sutilezas da vida. E eu não quero isso pro meu filho. Não pretendo criá-lo num ambiente carregado de preconceito. Não combina comigo, com meus valores e princípios, nem com meu marido ou com o que acreditamos e defendemos.

Já dizia Caetano, cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é. Então vamos parar de criar pré-conceitos em nossas cabeças e transmitir isso pros nossos filhos. Se não por você mesmo, por ele, por um mundo melhor no futuro.

E viva os contos de fadas, que nos ensinam a amar, a respeitar as diferenças, a sermos corajosos, e a nunca perder a esperança de um futuro feliz para sempre. Até o Shrek teve um final feliz para sempre né?

Um beijo,
Aline

8 comentários:

  1. Amei o seu texto!!! A Maria Clara sempre detestou bonecas e contos de fada, ela e do tipo aventureira mas ja teve um tempo em q ela se preocupou por ser diferente das outras meninas. Expliquei para ela q tudo tem seu tempo e q ninguem e igual!!!

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  2. Parabéns Aline,adorei o post.É triste que existam pessoas assim,vc falou o q eu penso/defendo.as pessoas são tão baixas ao ponto de pensar/julgar até as crianças,cada pessoa tem seu jeito de ser,hoje em dia não querem mais crianças tem que ser mini adultos,pessoas sem noção...Amiga, relaxa e entrega a Deus .Ah! e o niver do FH?Meu filho o dele é mês q vem tbm,Beijo pro FH,muito lindo adoro ele.

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  3. Aline, desculpe, mas que mente podre tem a pessoa que falou isso do FH!! Se fossemos pensar pelo lado da sexualidade, daí sim poderíamos falar que o FH é hetero pois ele quer ser o príncipe que fica no final com a princesa....
    Tem muita gente que perde muita oportunidade de ficar calada.
    Não tenho como opinar sobre os desenhos pois o Lucas tem somente 5 meses e eu vejo algumas preferências sim nos desenhos mas nada que eu possa dizer que um é de menina e outro de menina. Vejo que ela adora o Mickey, Urso Agente Especial, Selva sobre Rodas e nao gosta de Olivia, Ursinhos Carinhosos.... Mas o que isso quer dizer??? Nada!!!!
    Deixe seu filho curtir muito esses desenhos que são feitos para todos!!!

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  4. E viva a diferença!!! Até quando viveremos dessa forma subjulgadora??? Desejo que ainda exista muitos príncipes como o FH no mundo e muitas aventureiras como a MC!!! Como disse a Angelina Balerina em um episodio:" O que seria de nós se fossemos todos iguais???...seria...seria...seria muito chato!!!

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  5. Aline,
    Acho que vc como uma formadora de opinião não deveria postar que tem andado pessimista, que somos podres por dentro e esse tipo de coisa baixo astral... Já não chega ligar a TV e só ver desgraça, aí entro aqui e leio uma coisa dessas...
    Fora que isso de querer que seu filho seja um homem de bem não importando sua opção sexual é pura balela. Duvidoooo que vc não ia ficar em choque se ele fizesse que nem meu irmão, de chegar em casa de mãos dadas e beijando na boca de outro cara.
    Tudo o que vc escreve funciona muito bem e é muito bonito na teoria. Mas na prática, sabemos que as coisas não funcionam assim.
    Então, sugiro que reveja seus conceitos antes de postar algo... e seja mais realista e prática!
    Sobre contos de fadas, eles são os responsáveis pelos seres humanos mais frustrados que já conheci. Porque fazem as pessoas criarem ilusões e expectativas irreais desde pequenos. E a expectativa, como todos sabem, é a mãe da frustração.
    Tanto que tenho uma filha de 6 anos, e optei por esse livro: http://www.saraiva.com.br/livros/contos-de-fadas-de-perrault-grimm-andersen-e-outros-jorge-zahar
    Ele traz o conto de fadas e na página seguinte a moral da história, ensinando como são as coisas na prática e na realidade. Fica a dica!
    Abraço,
    Erica.

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  6. Erica,
    Você tem todo direito deter sua opinião, e a respeito. Mas blog tem característica de diário pessoal, portanto, toda blogueira tem liberdade de escrever o que pensa, sua opinião pessoal. Se você não gostou, tem a liberdade de não ler. Ou de não concordar. Nosso blog não tem caráter cientifico e eu não sou obrigada a escrever só o que agrada os outros. Fere o principio do blog e os meus também.
    Como disse no começo, respeito sua opinião. Seria bom que você respeitasse a minha também. Você nem me conhece, como pode afirmar que eu agiria diferente?
    Não cabe a mim julgar ninguém. Nem a você.
    E eu não sou formadora de opinião, só porque escrevo num blog uma vez por semana, longe disso. E nem estou aqui pra agradar ninguém, afinal, nem Jesus agradou a todos né?
    Abraços,
    Aline

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  7. Cara Érica, cada uma de nós temos opiniões diferentes. Você tem a sua, a Aline tem a dela e eu a minha. Se um texto não te agrada, ou mesmo uma autora, você pode passar para outro texto e ler aquele assunto que lhe interessa. Se falar do ser humano como ele é, lhe agride, então não leia e passe adiante. Temos inúmeros outros artigos e como um blog com várias mães e de certa idade, abordamos já assuntos diversos. Seja bem-vinda ao nosso cantinho. Volte sempre!

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