quinta-feira, 9 de agosto de 2012

E quando a cegonha não vem? - by Aline Pereira

Muitos casais passam por esse grande problema quando resolvem ter filhos: a infertilidade.

Na minha cabeça era eu parar de tomar o anticoncepcional e pimba já estaria grávida! Tinha tanto medo na época que namorávamos (OBS: namorei 12 anos antes de me casar rs!) de engravidar e ter as dificuldades que sabemos que uma criança não planejada acaba causando, sem dizer que morria de medo da reação dos meus pais caso isso acontecesse.

Bom quando me casei em Abril 2007, mudamos de cidade, pois meu marido conseguiu emprego em outra cidade e eu larguei tudo para acompanhá-lo. Como eu ia ficar sem trabalhar lá resolvi que já queria ter filho para me dedicar integralmente a ele. E ai começou minha luta! Desde que eu menstruei aos 12 anos fui detectada com Síndrome do ovário policístico, o único sintoma que eu tinha era a menstruação irregular, ficava até 90 dias sem menstruar.

Fui procurar um novo ginecologista já que eu mudei de cidade já precisa ter um. Lá na nova cidade os ginecologistas não tem aparelho de ultrassonografia no consultório o que é bem diferente do que eu estava acostumada, ele apenas me examinou fazendo perguntas e ainda afirmou que eu não tinha ovário policístico coisa alguma! Fui pra casa comecei a tomar o acido fólico e fizemos nossa parte namorando muito rs. E nada de menstruação vim, exames e mais exames de gravidez porque como não vinha eu já achava que poderia estar grávida.

Depois de 6 meses procurei outra ginecologista na nova cidade e a mesma me passou o exame de ultrassonografia e detectou o ovário policístico (até que enfim). Com isso ela me passou um remédio para descer a menstruação e mais nada. A pessoa que tem essa síndrome que eu tenho pode engravidar rapidamente como pode demorar horrores como foi meu caso, pois ela não ovula ou é muito raro ovular. Posteriormente, eu vou fazer um post a respeito dessa Síndrome. Portanto não adiantava nada eu menstruar e não investigar se eu realmente estava ovulando. E assim se passou um tempo.

Graças ao bom Deus meu marido recebeu uma nova proposta de emprego em nossa cidade Araraquara e retornamos em 2009. Voltei ao meu antigo ginecologista e o mesmo já entrou com indutores de ovulação que foi a salvação. Nesse meio tempo conheci o fórum do e-family que me ajudou demais nessa busca pela gravidez, esclarecendo várias dúvidas, conheci as meninas que são minhas amigas até hoje e foi onde eu aprendi a medir a temperatura basal para saber exatamente como funcionava meu ciclo, já que meu ginecologista só me passou o indutor sem ultrassonografia.

No terceiro mês de indução estava grávida! Foi uma felicidade indescritível. Tudo o que eu mais queria estava acontecendo. Mas infelizmente no finalzinho de julho de 2009 fui fazer ultrassonografia de 12 semanas e detectou-se que o bebê parou de se desenvolver, foi um baque enorme meninas, porque não tive sangramento, cólica nadica de nada. Então imagina meu desespero quando meu ginecologista falou a frase que até hoje não esqueci: "Linoca infelizmente o bebê não se desenvolveu", nossa fiquei sem chão.

Lembro que era uma sexta feira a noite e meu ginecologista me deu carta de internação que no sábado de manhã eu teria que estar no hospital para ser submetida a uma curetagem. Naquela noite eu e meu marido nem dormimos, eu estava me sentindo péssima, incapaz, tudo de ruim e ainda com medo da tal curetagem que eu nem sabia o que era. No sábado de manhã me submeti a curetagem, tomei anestesia geral e normalmente se sai no mesmo dia, porque é teoricamente bem simples esse procedimento. Mas meu ginecologista me deixou internada até o domingo porque eu não estava nada bem psicologicamente e segundo ele eu fiquei pedindo todo tempo enquanto ele estava fazendo o procedimento que eu queria ficar lá no hospital. Só de lembrar disso tudo meus olhos estão cheios d´água, não foi nada fácil.

Após a curetagem há um sangramento como se fosse menstruação e tinha dor abdominal , mas que sinceramente nem me incomodou porque eu estava tão rasgada por dentro que eu nem lembro se a dor era forte ou não. Depois o que é retirado da curetagem é levado para análise para detectar a causa da perda, que deu aborto espontâneo sem causas. Legal isso né, simples assim! Fiquei furiosa, como assim sem causa tem que ter alguma causa. Quando levei o resultado pro meu ginecologista ele me falou que até 3 abortos são normais (normal pra ele né!) que só investigaremos mais afundo depois disso. Nossa fiquei morrendo de raiva disso e não sosseguei enquanto não descobri. Fui em vários especialistas e o que me ajudou foi um endocrinologista o qual me passou um exame (acho que se chama índice glicêmico – não lembro ao certo!) porque meu pai tem diabetes tipo 2 e eu poderia ter também. Pimba, ele descobriu através desse exame que tenho intolerância a glicose que não poderia afirmar, mas que muito provavelmente eu teria perdido meu bebê por isso, mas que era super simples resolver, eu tomaria uma medicação desde já e continuaria com ele até 12 semanas de gestação e zero açúcar na dieta quando engravidasse.

Nesse meio tempo eu estava sem anticoncepcional, após uma curetagem meu ginecologista me pediu um intervalo de 3 meses para começar a tentar de novo, porque o procedimento faz uma raspagem no colo do útero e temos que esperar o organismo regenerar. Eu acabei engravidando novamente, comecei a sentir tonturas e ai retornei no endócrino achando que poderia ser anemia (coisa que eu sempre tive) e ele me passou mais exames de sangue e junto um beta. O beta normalmente fica pronto no mesmo dia, mas como tinha outros exames juntos iria demorar uns 3 dias pra ficar pronto.

Tirei sangue num sábado, quando foi no domingo a monstra (como eu sempre chamava minha menstruação) desceu e eu ainda comentei com meu marido bebê não é, vamos ver o que é que eu tenho. Na quarta peguei o exame pela net e ai vem outro baque, o beta tinha dado positivo. Chorei horrores de novo e já fui no ginecologista com o exame pra ele ver. Ele me mandou repetir o exame (beta quantitativo), mas infelizmente eu tinha perdido outro bebê que eu nem sabia. Segundo meu ginecologista, muitas mulheres engravidam e perdem dessa segunda maneira que eu perdi e nem acabam sabendo, pois causa apenas um pequeno atraso na menstruação e logo menstrua. No meu caso eu não menstruo normalmente por isso nem desconfiei de gravidez. Mas foi bola pra frente.

O mais difícil de perder um bebê são as perguntas das pessoas a sua volta, querendo saber de tudo e você quer esquecer o assunto, afinal te machuca demais. Para todos que me perguntavam falava que nem pensar que eu queria filhos agora (mas no fundo eu queria e muito, mas era só para não me perguntarem mais). Passei um período bem deprimido. Sai do e-family, fiquei revoltada com tudo e todos, uma sensação de incapacidade. Mesmo assim continuei meu acido fólico e o remédio que o endócrino me receitou.

Quando foi em Dezembro do mesmo ano, comecei a tomar novamente indutor de ovulação, meu ginecologista que me encorajou e da mesma maneira em 3 ciclos eu engravidei novamente! Que misto de alegria e medo, vou ser sincera comemorei, mas nem falava pra ninguém, só os familiares mais próximos estavam sabendo. Nem comprava nada para o bebê, cada vez que tinha que fazer Ultrassonografia de rotina ia chorando e meu ginecologista, lindo como sempre já sabia do meu medo, ele já colocava na minha barriga e já falava fica traquila que esta tudo bem. Fui falar pra todo mundo quando tinha completado 20 semanas, sempre fui magrinha até então consegui disfarçar muito bem minha pancinha rs.

Em novembro de 2010 recebi minha maior benção de Deus que era meu filho lindo e saudável. E hoje falo pro meu marido que toda a tristeza que tinha passou, o Lucas iluminou minha vida. Passaria tudo de novo pelo que eu passei pra ter esse presente.

Lembro que eu recebi flores na maternidade e com a seguinte frase: Deus não demora ele capricha! Essa foi minha luta para conseguir meu pimpolho, espero poder ajudar quem está passando pelo mesmo, porque realmente só entende a situação quem passa por ela!

3 comentários:

  1. Oi Aline, adorei seu texto, espero que Deus esteja caprichando no meu também pois fazem 2 anos já e nada, já tomei diminut pra desmanchar uns cistos,, e clomid por 3 meses e nada de Baby. :-) Bjs.

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  2. Que lindo seu depoimento Aline, até chorei aqui. O Lucas é lindo e está aí, forte e saudável. Parabéns pela sua família linda demais! Beijos!!!!

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  3. Aline Martins não foi nada fácil, mas graças a Deus tudo passou! Obrigado amiga pelo carinho!

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