terça-feira, 10 de julho de 2012

Mamis Convidada - Em Busca da Gravidez - Parte 4 - by Carol P.

Continuando a série de posts sobre o relatado de nossa amiga Carol P. para o tratamento de infertilidade. É uma história de busca pelo filho muito bonita e que pode também ajudar a quem passa pela mesma situação.
Para ler o post anterior, clique aqui


Reserva Ovariana - Hormonio Anti-mulleriano


Exame de sangue simples, sem qualquer preparo. Demoram alguns dias para ficar pronto.
Neste exame será dosado a quantidade de hormônio anti mulleriano (HAM) existente no organismo da mulher.
Esse hormônio, que é produzido pelas células que recobrem o folículo, mostra ao médico o "estoque" de células germinativas e óvulos estocados.
Esse exame, atualmente, só afirma com clareza se a mulher tem ou não um bom estoque de óvulos, mas não determina a idade da menopausa.

As mulheres nascem com uma quantidade "x" de óvulos e, para cada idade, espera-se uma certa quantidade de óvulos estocados. Mas e se o seu estoque for abaixo do valor esperado para a sua idade? Foi o que aconteceu comigo.

Após o exame o médico foi claro ao dizer que a minha reserva ovariana não era compatível com minha idade e sim de uma mulher uns 10 anos mais velha. É aí que perguntamos: mas entrarei na menopausa cedo? Posso ter filhos até quando? E o médico, sinceramente, responde que não sabe. Eu poderia deixar de ter óvulos daqui 2 meses, daqui 2 anos como entrar na menopausa aos 40 anos e ir ovulando até lá.
Conversamos muito e decidimos que no próximo ciclo tentaríamos novamente a FIV, porém sem doses grandes de remédio, já que meu organismo não respondia.
No próximo ciclo utilizamos somente o indutor via oral, 100mg ao dia por 5 dias. Resultado: 1 óvulo. O médico achou melhor não fazer FIV e fizemos uma IA. Não deu certo.
Como fiz o exame na própria clínica, quando me ligaram para dar a notícia já disseram que o médico queria marcar uma conversa. No mesmo dia de tarde fui lá com meu marido e ele explicou que há um estudo em que mulheres com baixa resposta a indutores por motivo de pouca reserva ovariana, respondia melhor ao tratamento após pelo menos 3 meses de uso de DHEA. Não pensamos 2 vezes: vamos fazer o tratamento!

O DHEA é dificilmente encontrado no Brasil, mas o médico tinha um frasco e comprei dele. Na época, meu cunhado morava nos EUA e ele ainda me trouxe mais 3 frascos para o meu estoque.
Não teve um dia em que eu esquecesse de tomar o meu remédio. Eram 3 comprimidos diariamente e para mim isso era sagrado!

Após 3 meses de uso voltei na clínica para um exame de ultrassonografia no 2 dia do ciclo. O médico disse que a quantidade de folículos já no início do ciclo estava maior. Vamos tentar novamente uma FIV. Desta vez o protocolo foi: 5 dias de indutor + 2 ampolas de menopur (não tomava 2 ampolas por dia, e sim 2 ampolas no tratamento todo!).
Neste ciclo, 2 folículos cresceram, utilizei as injeções de bloqueio e fiz a aspiração dos mesmos. No dia seguinte me ligaram dizendo que os 2 óvulos haviam fecundado e marcaram a transferência.
Como eu já tinha lido demais na internet, após a transferência optei por ficar os 15 dias deitada, o que foi uma loucura!!! Durante o dia, minha secretária do lar me dava o café, almoço e lanche da tarde numa bandeja na cama e, a noite, meu marido me dava o jantar. Os dias não passavam e foram os piores dias da minha vida.
Uma semana após a transferência, após o banho, tive uma queda de pressão muito forte e todos já achavam que eu estava grávida. Até fiquei confiante, mas uma parte de mim duvidava. Pela internet, comprei 3 testes de gravidez e um dia antes da data marcada para o beta eu utilizei: Negativo.
Aquilo me deixou arrasada, mais nervosa ainda. No dia seguinte, no dia do exame, eu fiquei na clínica esperando o resultado e só queria saber logo para acabar com aquilo de uma vez. O médico me chamou na sala e revelou o já temido negativo. Eu chorava de tristeza, mas era como se fosse um alívio, como se eu tirasse um peso de mim.

Em nenhum momento deixei de tomar os 3 comprimidos de DHEA diariamente e assim continuei. Quando iniciou novo ciclo, voltamos lá para novo ultrassom e eu não poderia tentar novamente, pois eu tinha um cisto. A presença de cistos deixam os hormônios alterados e eu não responderia a medicação do tratamento (indutores). Sem fazer nada a respeito, o médico pediu para aguardar esse ciclo e continuar com o DHEA. Nessa hora eu já pensava: não vai sair sozinho esse cisto, melhor fazer alguma coisa… a gente começa a achar que já até sabe mais do que o médico.

Um mês se passou e a menstruação começou a querer a dar as caras. Porém eu não senti a presença direta de sangue e, por alguns dias, somente tive aquela tão falada borrinha. Já fui eu pensando: o cisto continua aqui, nem vou ligar para o médico. Cansei de ir e ele mandar eu esperar.
Porém eu fiquei pensando: meu marido vai saber que estou menstruada, vai me questionar porque não avisei o médico e vai ficar bravo comigo. Vou ligar.
Lá fomos nós fazer um ultrassom em pleno feriado!!! Só para eu ficar bem caladinha, onde estava o cisto? Sumiu!!!
Colhi amostra de sangue para dosagem hormonal e voltei para casa. Após umas 2 horas a enfermeira me liga dizendo que estava tudo certo e que eu precisava voltar na clínica imediatamente para buscar meu kit de medicação.
Desta ver eu tinha em torno de 5 folículos de um lado e 7 do outro. Para eles, os médicos, isso foi uma super evolução.
Aumentamos a dosagem de indutores. Desta vez tomei gonal F, 2 ampolas de menopur diariamente e clomid. Após 5 dias voltei para novo US e eu estava respondendo a medicação, tudo estava indo maravilhosamente bem. Chegou o dia de começarmos com os bloqueadores que neste caso foi o Cetrotide. O Cetrotide ou qualquer outro bloqueador deve ser tomado rigorosamente no mesmo horário, pois ele não deixa o folículo romper. Caso a paciente não possa aplicar naquele exato horário, é até indicado que se tome alguns minutos antes, mas jamais aplicar após. Eu colocava até o celular para despertar e não errar.
Para romper o folículo utilizei o ovidrel.

O médico agendou a aspiração para às 7 da manhã e às 6:15 eu já estava lá. Ele tinha me dito que algumas vezes, mesmo com o cetrotide e ovidrel liberando o óvulo após 36h, o óvulo poderia ser liberado antes da aspiração e ele poderia perdê-lo. Pensei: o meu não vai perder, vou chegar antes. Literalmente ajudei a acender a luz da clínica.
Pode parecer loucura, mas para mim, o momento da aspiração era o melhor. Eu deitava naquela maca, era sedada e só acordava após o trabalho feito. Não poderia ser assim na transferência? Passaria 14 dias dormindo feito um anjo e acordava já sabendo se estava grávida! Seria uma beleza….
Desta vez 5 óvulos foram aspirados. Como sou bem agitada, o anestesista deu uma dose maior de medicamento e eu fiquei falando sozinha (dormindo) na recuperação...

Chega o dia da transferência.

Já fui para a clínica com uma garrafinha de água, afinal, a transferência é feita com a bexiga cheia. Já deitada na maca o médico vem mostrar e explicar a situação dos embriões. Ele explica em quantas células foram divididos cada um e a classificação que cada um recebeu. Nunca entendi ao certo essa classificação, mas é mais ou menos assim: recebe um número que corresponde ao número de células e a letra A, B, C ou D pelo aspecto acredito eu.
Nem me lembro a classificação dos meus e só pensava: ok ok, transfere o melhor e pronto. Chega num momento da sua vida que esses detalhes já não te importam mais. Se ele já sabe, se ele que é médico sabe o que está fazendo, para que eu tenho que entender?

Tive 5 óvulos, os 5 foram fecundados e os 5 estavam bons. O médico transferiu os 2 que ele classificou como melhores e os outros 3 foram para cultivo prolongado antes de congelar. Ele me explicou que se eles não chegassem a blastocisto no cultivo, provavelmente não evoluiriam numa gravidez. Após alguns dias me ligaram da clínica dizendo que 2 foram congelados e me mandaram um contrato de adesão.

Após a transferência fui para casa e fiquei de repouso neste dia e em mais 2 dias. Nos outros? Ahhh eu não contei. Após pegar o negativo da primeira FIV eu me matriculei num curso de decoração que passei a amar. Então, desta vez eu tinha compromisso e não podia faltar. Uma amiga do curso mora ao lado da minha casa e me dava carona. Eram 3 dias da semana que eu ficava entretida e não pensava muito no assunto.

Na noite da transferência eu senti uma dor forte ao urinar e fui correndo para o laboratório por indicação do médico e colhi material para análise. No mesmo dia o resultado saiu e eu estava com infecção. Foi 1 semana tomando antibiótico. Eu só pensava que esse antibiótico prejudicaria a implantação. Uma semana se passou e eu tinha renovação de visto no Consulado Americano. Fiquei das 12:30 às 18:00 em pé, sem poder sentar de tão lotado que estava aquele local. Tudo isso me fazia pensar que não daria certo.

Meu beta seria num sábado...

Na quinta que antecedeu eu senti uma dor, como cólica, muito forte e me assustei. Liguei para a enfermeira chefe e ela não quis dizer se isso era bom ou ruim e mandou eu ESPERAR pelo beta. Na sexta minha secretária comenta que eu estava sendo forte, por os outros 2 testes de gravidez que eu tinha comprado continuavam lá. E como se não bastasse o comentário ela completou: você não vai MESMO fazer um? Acho que ela queria saber mais do que eu, afinal, ela sofria junto comigo. Respondi que não, que tinha prometido ao meu marido que desta vez eu não faria.

Mas que mulher consegue, me diz?????

Peguei um dos testes, era um clear blue, mas não dos que podem fazer 4 dias antes do atraso (esse eu tinha usado da outra vez) e sim o teste que precisa estar pelo menos 1 dia atrasada e pensei: vou fazer logo. Dá negativo e eu fico mais aliviada para o beta né…. Abri o teste, consegui um copinho descartável para colocar a urina e coloquei a pontinha do teste dentro do potinho com a urina.

Resultado? Só daqui a pouco…..

Fonte: http://revistacriativa.globo.com/Criativa/0,19125,ETT1043035-2246,00.html

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