sexta-feira, 29 de junho de 2012

E a falta de compromisso? - by Aline

Estamos vivendo numa época em que, apesar das facilidades e da quantidade inumerável de itens de conforto que temos, o homem se torna cada vez mais egoísta e consumista. E eu me pergunto: onde vamos parar com isso? É uma falta de compromisso das pessoas com elas próprias, com suas amizades, com suas famílias, com tudo. É cada um por si, e olhe lá se Deus por todo. Isso me deixa muito triste mesmo, porque eu acredito que vivemos numa época cheia de facilidades, e portanto, deveríamos ter mais tempo pra nos dedicarmos mais ao que realmente importa. É um tal de pensar em mim, no que eu quero, no que eu desejo, no que me satisfaz, e consequentemente se esquece do outro, ali do seu lado, ou mesmo longe, mas que se importa com você. Pra você entender melhor sobre o que eu estou falando, eis alguns exemplos.

Situação 1: a quantidade cada vez mais crescente de animais abandonados nas ruas. Muita gente pega o cachorrinho ou o gatinho, tem gente até que compra e paga caríssimo pelo filhote, e leva pra casa e sei lá o que passa na cabeça desse ser. Ela acha que o cachorrinho ou o gatinho é um brinquedo, que não precisa comer, nem beber água, nem passear, que não vai ficar doente, e que só vai abanar o rabinho quando você lembrar que ele tá lá na prateleira da sala. Gente, um animal de estimação é um ser vivo, e diga-se de passagem, provado cientificamente que tem sentimentos. Eu sou cachorreira assumida, amo meus pugs, e acho que se eu tivesse mais tempo na vida até teria mais cachorro. Mas é melhor ter dois e conseguir me dedicar a eles como eles merecem do que encher minha casa de cahorros fofos e depois não dar conta do recado. Eu comparo um cachorro ou um gato com um bebê: ele até entende alguns ensinamentos e lições que você passa pra ele, mas ele não sabe falar e você sempre vai ter que repetir os comando, os ensinamentos, pra ele não esquecer do que você ensinou. E é bebê pra sempre, porque ele nunca vai aprender a falar pra te contar o que ele está sentindo, onde dói, ou eu te amo. Mesmo assim, ele te ama viu? E o que mais se vê é gente que pega o bichinho, aí ele chega em casa e não se comporta como a pessoa idealizou que seria e pronto, abandona. Tá feito o estrago.

Situação 2: casais que se habilitam a adotar uma criança e depois de levá-la pra casa, constatam a mesma coisa que quem pega o bichinho de estimação: a de que a relação pais e filhos não é perfeita como nos filmes e nas novelas. Que criança faz mal criação, te desobedece, te desafia e tudo o mais. E ela não faz isso porque é adotada, alow, é porque ela é criança. Tem filho de sangue por aí que até mata os pais. Suzane Von Richthofen tá aí pra provar que eu não estou inventando nada. Mas tem gente que acha que é assim, e aí, como a criança que a pessoa “pegou na prateleira do abrigo” veio com defeito, faz valer o direito de consumidor e devolve a mercadoria. Simples assim. Já não é cruel demais essa criança ter sido abandonada em um abrigo por seus pais biológicos, qualquer que seja o motivo? Vai ser devolvida? E não pensem que isso não acontece, essa realidade é bastante comum nos processos de adoção país afora. Mais até do que você imagina.

Situação 3: a falta de tolerância com as pessoas que nos cercam. Não temos tempo pra ouvir os problemas alheios. Parece que o fato de você bater ponto no trabalho e dar bom dia pra quem trabalha do seu lado já é suficiente. E temos cada vez mais “amigos” nas redes sociais, e cada vez menos visitas em casa. Você conhece seus vizinhos? Quantas vezes você já visitou um colega de trabalho seu ou ele visitou sua casa? E será que você é mesmo a pessoa super legal, boazinha e atenciosa que você imagina ser? Quanto tempo do seu dia você tira pra brincar com seu filho, ou pelo menos, contar uma história pra ele? Você parou pra ouvir mesmo seu marido, sua esposa, seu filho, seu amigo? Consegue entender o que ele sente de verdade, como ele se sentiu naquela situação, naquele mal entendido? Essa semana circulou no face uma mensagem mais ou menos assim: perguntaram a um casal de velhinhos qual o segredo pra eles conseguirem passar 65 anos casados. E a velhinha responde: - nós somos de uma época em que quando uma coisa se quebrava, éramos incentivados a consertá-la. Mas hoje em dia é muito mais fácil e prático romper os laços, destruir amizades, casamentos, relacionamentos, do que se esforçar pra consertá-los. Afinal, na vida prática e tecnológica de hoje, pra que consertar se eu posso conseguir outro melhor ali na esquina? Pra que me esforçar por um amigo se eu tenho trocentos e noventa e sete amigos no meu facebook/Orkut/linkedin? Se meu casamento acabar, eu entro no site de relacionamentos e arrumo outro namorado oras. Internet tá aí pra isso. Será mesmo?

Olha, eu sinceramente acho que hoje o mundo carece de simplicidade. Estamos super preocupados com a tecnologia de ponta, com o último lançamento da moda, da internet, da tecnologia. Mas ignoramos o ser, o outro, o que está do nosso ladinho. Passamos horas conversando pelo MSN, facebook, email, mas somos incapazes de dar um telefonema, pra quem quer que seja. Somos incapazes de desligar o computador e ler um livro pro nosso filho, ou brincar de massinha, ou contar os carros azuis e vermelhos na rua enquanto tomamos um sorvete de casquinha. O próprio Russel (o garotinho do filme Up! Altas aventuras), na sua pequena capacidade de filosofar, fala que contar os carros parece sem graça, mas é dos momentos sem graça que ele mais sente saudade.

Eu ultimamente ando com muita saudade das coisas simples da vida, do compromisso, da tolerância entre as pessoas.

Nem vou dizer que eu sou perfeita. Não tem ninguém perfeito no mundo, pros Cristãos, perfeito mesmo só Jesus né? Mas eu me esforço sabe? Me esforço mesmo pra ser compreensiva, tolerante, sempre fui muito observadora, do mundo, das pessoas. Acho mesmo que eu posso aprender muito com os outros e, meus amigos, eu vim nesse mundo foi pra aprender, e muito. Mas essa tarefa é difícil, e eu piso na bola às vezes, também dou meus gritos. Mas eu tento fazer com que essas pisadas de bola sejam o mais raro possível na minha vida e pra quem me cerca. Se eu discuto com meu marido, eu me sinto péssima depois. Não porque eu ou ele estava errado, mas porque eu deixei a discussão ocorrer, eu soltei as rédeas da minha racionalidade e permiti que a desavença tomasse conta do meu relacionamento. Eu acho isso muito ruim. Eu acho isso péssimo. Porque já diz o ditado, se um cachorro não quer, dois não brigam. Então se a briga acontece, é porque eu também quis. Por melhores que sejam meus argumentos.

Então minha gente, esse post é pra pedir mais tolerância e simplicidade pro mundo. Se a gente, pai e mãe, deseja um mundo melhor pros nossos filhos, então vamos fazer a nossa parte, porque eles vão herdar o mundo que estamos construindo AGORA! E eu quero muito que esse mundo que eles vão herdar seja mais ameno, mais simples, mais feliz e tolerante. E essa tolerância começa com você se importar mais com o outro. Comece com seu próximo, com quem está do seu ladinho, depois vai espalhando essa sementinha.

Um beijo,
Aline

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