sexta-feira, 15 de junho de 2012

As chaves mágicas - by Aline

Quando eu era criança, escutei uma história que muita gente já deve ter ouvido: as chaves mágicas de Haidée. Haidée era uma menininha que um dia descobre umas chaves coloridas e essas chaves eram mágicas, capazes de abrir muitas portas. Essas chaves tinham nomes especiais: obrigado, com licença, por favor e desculpa.

FH vem falando algumas palavras mágicas, como bom dia, por favor, desculpa, obrigado, mas porque estamos ensinando-as para ele. Sempre que ele é exposto a uma oportunidade de usá-las, incentivamos.
http://dedinhoscoloridos.blogspot.com.br/2011/03/as-chaves-das-palavrinhas-magicas.html

Mas posso dizer que FH descobriu sua primeira chave mágica: aprendeu a falar obrigado. Não a falar por falar, porque isso ele já vem falando a algum tempo. Mas no verdadeiro sentido da palavra sabe? De tanto insistirmos, ele finalmente entendeu pra que serve o tal “obrigado” e está adorando usar. Pra tudo. Obrigado mamãe, obrigado papai, obrigado Nane, é o que mais se ouve em casa ultimamente. Agradece quando entregamos o brinquedo pra ele, quando o ajudamos com alguma coisa, quando colocamos o filme que ele quer ver, quando arrumamos o papá, quando levamos pra passear. E confesso, que como mãe coruja que sou, que estou encantada com isso. Fico toda orgulhosa de vê-lo agindo com tanta gentileza, apesar de observar que em certos momentos, o “obrigado” seria totalmente dispensável rs

Mas em um mundo onde há escassez de gentileza, será mesmo que o uso de tantos obrigados pelo FH não seriam necessários? Sou professora, e vejo muitos de meus alunos, já adultos, diga-se de passagem, entrarem na sala e saírem na hora que bem entenderem. Tem aluno que nem sequer faz parte da turma e mesmo assim entra, sem pedir licença pro professor, pra cumprimentar um colega ou trocar qualquer tipo de informação que seja. Interrompe nossa aula sem pedir licença, como se o que estamos falando não fosse importante ou como se nós mesmas, professoras, ou seus colegas, não merecessem nenhum tipo de respeito ou consideração.

Quantas vezes eu entro na sala de aula e perco 10, 15, 20 minutos ou até mais esperando a turma fazer silêncio para começar a aula? Quantas vezes eu volto pra casa rouca de tanto competir com a conversa paralela, falando cada vez mais alto, porque eu me preocupo com aqueles que ainda querem fazer valer seu dinheiro e aprender alguma coisa?

E olha, nem pensem que eu sou uma professora boba, pastel. Eu falo, peço, converso, explico, dou bronca, bato o apagador no quadro. Tem horas que banco a mãe brava que ameaça que vai por de castigo no cantinho da disciplina se não fizer silêncio (essa técnica é mais utilizada com os calouros, que conversam mais em sala). Mas nem assim. Porque educação vem de berço. Não se aprende isso em sala de aula, nem que a professora tenha uma varinha de condão. Nem se a professora tivesse as tais chaves mágicas de Haidée.

Eu não fui santa nesse quesito. Eu conversava muito na sala de aula quando era pequena. E eu me lembro do meu pai brigar muito comigo por isso. Ele me dizia que eu estava faltando com o respeito não apenas com a professora, mas também com os meus colegas que queriam aprender. E um dia caiu minha ficha. E eu aprendi e não fiz mais isso. Eu me lembro de ser tão educada, tão respeitosa com meus professores e colegas. De sentir vergonha de conversar em sala de aula, de sair no meio da sala, de interromper um professor.

Eu era do tipo que falava bom dia, pedia licença, pedia por favor, dizia obrigada. E não me lembro dos meus colegas e amigos não agirem do mesmo modo. Eu não era aberração na escola por isso, não era exceção. As pessoas na minha infância eram mais gentis. Os vizinhos se cumprimentavam na padaria pela manhã e se conheciam todos no bairro; se ajudavam; eram prestativos. Hoje em dia, mal sabemos os nomes, quiçá se temos vizinhos. Temos vizinhos? Somos capazes de ver um conhecido parado trocando um pneu furado do carro e não parar pra ajudar, fingir que não conhece.

No trânsito então, sem comentários né? O nível de grosseria e de falta de educação faz as pessoas cometerem cada barbaridade no trânsito capaz de deixar até Deus apavorado. Em certos casos, a falta de gentileza no trânsito provoca graves acidentes, brigas e até mortes. Tanto que uma companhia de seguros lançou a campanha "Trânsito mais gentil", pra ver se "a moda pega" e as pessoas, sendo mais gentis, cometem menos infrações e consequentemente, se envolvem em menos sinistros. Olha a que ponto chegamos!

Meus pais, minha experiência de vida, as coisas que eu vivi, os lugares que eu frequentei, me ensinaram a ser gentil. Me ensinaram que com gentileza e educação se consegue e se conquista muito mais coisa na vida, vai-se muito mais além. E eu quero muito que FH aprenda isso.

Por enquanto ele conheceu a primeira chavinha que vai abrir muitas portas especiais pra ele, a chave do “obrigado”. Muitas outras chaves virão, com certeza.
E você, quantas chaves mágicas pretende apresentar pro seu filho?
Beijos,
Aline

2 comentários:

  1. Aline, a Jade tb já está sendo apresentada às palavrinhas mágicas. Ela já conhece Obrigada, Bom dia, Boa Noite e desculpa. Mesmo quando a gente esbarre nela sem querer, ela pede desculpas rs educação vem de casa e concordo que nós temos que passar isso para nossos filhos. bjs

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  2. Que gracinha o FH, Heitor ainda fala muito pouco mas ele começou a falar sai, sai, quando algo está na sua frente, então agora estou inserindo "dá licença" ele ainda está aprendendo, às vezes ele fala "sai" comigo e eu olho bem pra ele e pergunto como fala? e ele "Lichencha", todo lindo... Não é fácil educar mas é de fundamental importância!

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