terça-feira, 15 de maio de 2012

Em Busca da Gravidez - Parte 2 - by Carol P. (Mamis convidada)

Continuando a série de posts sobre o relatado de nossa amiga Carol P. para o tratamento de infertilidade. É uma história de busca pelo filho muito bonita e que pode também ajudar a quem passa pela mesma situação.
Para ler o post anterior, clique aqui.

Estando tudo ok com os exames de hormônio e com a histerossalpingografia (radiografia das trompas), o médico provavelmente iniciará com o coito programado que é um método muito simples e muitas vezes dá certo. Acontece que, por mais que a mulher queira engravidar, como o óvulo dura em média de 12 a 24h, é muito fácil de perdê-lo.


Indução de Ovulação e Coito Programado

A indução pode ser feita com remédios de orais ou injetáveis. Normalmente, para começar, os médicos preferem os orais até por serem mais baratos.
Os indutores orais fazem o mesmo efeito que os injetáveis, o que muda é somente a dose e o princípio ativo. Os orais normalmente são a base de citrato de clomifeno enquanto que o da maioria dos injetáveis é a alfafolitropina.
Muitos médicos começam com a dosagem diária de 50mg de indutor oral (um comprimido) e outros já sugerem 100mg. A dosagem é protocolo de cada médico e não indica que vá ovular mais ou menos pois depende da resposta de cada paciente.
A maioria dos injetáveis são aplicados na região abdominal pela própria paciente, não necessitando de enfermeira para tal procedimento. Alguns medicamentos já vem prontos na seringa e é só aplicar, já outros, como o caso do Menopur, a paciente precisa quebrar a ampola para com uma seringa retirar o líquido diluidor, colocar este no potinho com do remédio, dar uma leve mexida para melhor diluição e, com a mesma seringa, retirar o medicamento pronto. Troca-se a agulha e, só depois, aplica na região.
O médico sempre orienta a forma de aplicar, é indicado que se aplique sempre no mesmo horário, e também irá indicar a dosagem e quantos dias de medicamentos. Normalmente, após 4 ou 5 dias, será feito uma ultrassonografia para ver quantos folículos existem e o tamanho deles. O ideal é que eles estejam com uns 20mm. Neste dia o médico vai indicar o dia e hora a aplicar uma injeção que irá romper o folículo em 48h. Essa injeção tem o HCG como base.
Após 48h dessa última injeção a mulher ovula e, assim, ela deve namorar nos dias determinados pelo médico: normalmente no dia da ovulação e no dia seguinte.
Alguns médicos somente esperam uns 14 dias para ver se vem a menstruação ou então se faz o beta HCG, outros ainda receitam o usam de progesterona já pensando em uma fecundação.
Esse método costuma ser muito utilizado no começo por ser o mais simples, barato e indolor.

Como comentei no primeiro post, toda a minha exposição do assunto é com base no que vivi, então por isso vou dizer o que foi usado comigo.
Foram 3 meses de indução com serophene, sempre com 50mg. Em todas as vezes ovulei, mas não engravidei.


Após alguns meses de tentativa o médico pode sugerir a IA (Inseminação Artificial).
Muitas pessoas confundem a IA com a FIV, mas são procedimentos completamente distintos um do outro.


Inseminação Artificial ou Intra- uterina

Assim como no coito programado, será feita a indução de ovulação e o monitoramento com ultrassonografia.
http://www.mulherbeleza.com.br/
A diferença entre elas é que após tomar a injeção de HCG para rompimento do óvulo, o médico agenda o horário (48h após a aplicação) e o casal vai para a clínica. Antes de completar as 48h o marido já é levado para uma sala onde, através da masturbação ele recolhe o sêmen e entrega para a equipe. A equipe, normalmente biólogas ou biomédicas "tratam" esse sêmen retirando os espermatozoides que não se movem, os que se movem, mas não progressivos e, ainda, os que não tem a morfologia adequada. Elas deixam somente os espermatozoides "saudáveis" se é que podemos dizer assim.
Trabalho feito, a paciente é levada para a sala onde será colocada em posição ginecológica, o médico pode fazer uma assepsia com soro no local e fará uma ultrassonografia para ver se ela realmente está ovulando ou prestes a ovular. O médico colocará o espectro igual ao de um exame comum e introduzirá um cateter que levará até o colo do útero. O sêmen chega numa espécie de seringa e o médico o injeta no cateter.
Diferença para uma relação normal: o esperma será depositado no colo do útero enquanto na relação é depositado na vagina, tendo que percorrer mais até encontrar o óvulo. 
A partir daí o espermatozoide tem que encontrar sozinho o óvulos, fecundar e se fixar no endométrio como numa relação comum.
Para a IA pode ser utilizado indutor oral ou injetável, depende de cada médico.
As chances de positivo num tratamento desse é de 20%, isso mesmo, só 20%, pouca coisa a mais do que em uma relação convencional. Por isso os médicos não aconselham mais de 3 ou 4 tentativas. O custo em média é de 4 mil reais.


Como aconteceu comigo: após 3 ou 4 meses de coito programado meu médico me indicou para um especialista em reprodução humana e fizemos uma tentativa. Engravidei na primeira porém sofri um aborto espontâneo após uma semana. Não tomei nenhuma medicação durante 2 meses e tentamos novamente: negativo. Conversei com o médico e pedi alguns exames para ver se eu não tinha nenhum problema mas ele não quis, disse que era normal perder o primeiro. Por alguns contratempos na minha vida, acabei trocando de médico e ao chegar no consultório ele me pediu mais alguns exames (esses sim convênio não cobrem e são bem caros). Adiei alguns meses, pois sempre pensava: mas e se nesse mês eu engravidar sozinha? Até que me rendi e fiz os exames solicitados (alguns o marido tem que fazer também) e, acredito que eram os mais importantes, deram alterados. Existe um exame que o casal faz junto que se chama Crossmatch, prova cruzada dos sangues e o meu deu alteração. O outro que deu alterado é a mutação do gene da protrombina.



Crossmatch - Prova cruzada dos Sangues

É a pesquisa sobre existência de anticorpos contra linfócitos paternos no sangue da mãe. Os resultados dos exames de Crossmatch são usados para indicar o tratamento e para monitorizar a resposta materna à aplicação das vacinas (ILP).
Após alguns anos de pesquisa e experiência, foi concluído que 3 aplicações de ILP com intervalos médios de 3 semanas são suficientes para sensibilizar a grande maioria das pacientes, e em torno de 30% dos casos necessitam de mais uma dose de reforço. Uma vez imunizada, a paciente permanece por volta de 6 meses sem a necessidade de novo tratamento, possibilitando assim durante esse período engravidar espontaneamente ou por métodos de fertilização caso seja necessário.

Nem preciso mencionar que eu fui uma das 30% que precisei da 4 dose né. As doses geralmente são pagas individualmente e custam em torno de 700 reais cada uma. Como moro em São Paulo, minhas vacinas foram feitas no laboratório RDO localizado na Av. Brasil.

É um procedimento simples, mas não tão indolor. O marido vai pela manhã ao laboratório e recolhe uma amostra de sangue. Na mesma tarde ou no dia seguinte, a esposa vai ao laboratório e uma enfermeira aplicará a vacina feita com os linfócitos do marido no antebraço. Normalmente a enfermeira divide o líquido em 4 picadinhas sendo 2 em cada antebraço. Disse que não é totalmente indolor, pois tem dias que arde muito a aplicação, porém não é nada insuportável. Após a aplicação não é aconselhável carregar peso nos braços ou fazer atividade (no caso de musculação que pegue muito peso no braço). Pode ficar vermelho a região da aplicação e coçar. Tudo é normal.
Importante lembrar que o laboratório só faz a vacina após os resultados de sorologia do marido. Caso o marido tenha feito em outro laboratório a sorologia ele pode levar os resultados. Caso contrário, no dia eles colhem 2 amostras e só liberam a vacina após o resultado ok da sorologia. Isso porque, se o marido tiver alguma doença, no caso da vacina, a mulher poderia ser infectada.


Mutação do Gene Protrombina

Neste caso, com a gravidez, ocorre um aumento na atividade de coagulação do sangue e ocorre ainda um aumento da resistência ao anticoagulante do próprio organismo. Com simples palavras, o organismo pode acumular coágulos de sangue que, desta forma, dificulte a oxigenação do bebê e assim ocorra um aborto. Ainda, mais nos casos puerpério (após o parto), esse coágulo pode caminhar até o pulmão causando, assim, uma embolia pulmonar.
Não existe um tratamento único, ou seja, o tratamento é diário! Após a descoberta da gravidez, ou, dependendo do tratamento desde este, é indicado a utilização de heparina. A dose será indicada pelo médico de acordo com o resultado do exame, mas são injeções diárias na região abdominal, a mesma das injeções de ovulação.


Como aconteceu comigo:
Após os exames, o médico explicou que eu teria que fazer o tratamento com as vacinas de linfócitos e depois fazer o uso da heparina, porém só na gravidez, não preciso utilizar esse medicamento em outras épocas da vida. Realizei 3 doses da vacina conforme orientação e repetimos o exame crossmatch. No exame deu que eu precisaria da 4 dose, reforço quando o beta HCG desse positivo e, enquanto isso não acontecesse, reforços a cada 6 meses.
Após a 4 dose fizemos novamente a indução de ovulação, mas desta vez utilizamos indutor injetável, o menopur. Realizamos o coito programado por 3 meses seguidos e não deu certo. Conforme combinado com o médico, partiríamos para a FIV (Fertilização In Vitro)...



Fontes:
http://www.hlagyn.com/jml1/faqs-mainmenu-25/31-o-que-rossmatch
http://www.crossmatch.com.br/
http://www.infertilidade.ltda.biz/inseminacao_artificial.php

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