quinta-feira, 29 de março de 2012

O dia que entendi de fato meu novo papel - by Anne

Olá queridos leitores,

Hoje vamos falar um pouquinho desse período que é tão conhecido entre as mamães, o pós parto. É um dos períodos da vida da mulher que tudo toma uma sentido diferente, algumas amigas falam para mim que o mundo mudou, mas eu teimo em afirmar que o mundo continua igual, só o olhar mudou, o olhar que nasce na mulher no momento em que ela se vê trazendo ao mundo um novo ser, é um olhar crítico, preocupado, voraz e ao mesmo tempo um olhar que emana a maior quantidade de amor que uma pessoa possa suportar em seu peito.

Mas e quando da chegada do pós parto, chegam as tarefas que se multiplicam a todo tempo, as noites mal dormidas, as primeiras consultas com o pequeno que acaba de chegar, as idas as vacinas e por ai vai. Mas e aquele tempo que eu tinha antes? Muitas mamães se perguntam não é mesmo?! Muita calma, não se desespere, esse tempo continua lá, no mesmo espaçinho do dia, é só questão de enxergamos o dito cujo, o que aqui em casa não foi tarefa nada fácil, rs

Faz dois anos que passei por esse período, mas me lembro como se fosse hoje que na primeira semana eu imaginei por alguns momentos que nunca mais iria ter tempo de fazer unha, ir ao cabeleiro, enfim imaginei que nunca mais poderia assumir compromissos comigo mesma, mas o tempo me mostrou que é sim possível cuidarmos de nós, basta queremos.

Assim que meu pequeno nasceu eu fiquei tão enfeitiçada e louca por ele, que minha vontade era só de ficar colada a aquele ser tão indefeso, vocês que são mamães fazem idéia do que estou falando, eu só queria "babar" na minha cria 24 horas por dia, acordar nas madrugadas para mim era lindo, deixa eu completar, rs...lindo até os 2 meses de idade porque depois disso começou a ficar cansativo, sim pois sou mortal não é mesmo?! Mas isso não significa que deixou de ser prazeroso, acordar para embalá-lo fazia com que eu me sentisse sua protetora, seu acalento e tomada desse instinto maternal o cansaço era embebedado de um profundo êxtase.

Depois de algumas semanas da mesma vida, frise-se, no entanto com um novo significado eu começei a perceber que se o mundo era o mesmo, eu deveria me cuidar da maneira que sempre havia feito, tratei de marcar salão e dar um up no visual, meus cabelos estavam caindo tanto que imaginei inclusive que fosse ficar careca, ok, pode até exagero, concordo, mas naquele turbilhões de emoções era no que eu acreditava piamente, pois bem, lendo a respeito da queda de cabelo no pós parto, pude constatar que era apenas mais uma fase e que fazia parte da tal estabilização dos hormônios, mais despreocupada, parti para o que eu poderia fazer naquele momento por mim, um novo corte, uma selagem, enfim para as artimanhas que fazem com que qualquer mulher do planeta se sinta mais mulher.

Remaquei minhas idas semanais ao salão para cuidar das unhas, sombrancelhas, comprei algumas peças de roupas que não fossem calça legging e bata, afinal de contas não aguentava mais esse tipo de roupa e começei a me ver novamente como mulher, mas agora uma mulher que além das mil tarefas que eu sempre assumi na vida, eu havia imergido talvez na mais árdua tarefa a ser cumprida por toda ela, ser mãe.

Muitas vezes vejo mamães reclamando que não dá mais tempo para se verem como mulher e fico muito triste com isso, afinal de contas um filho não deve ser motivo de desleixo de nenhuma mulher e sim a razão pela qual devemos estar ainda mais belas a cada dia.

Confesso que não foi fácil principalmente no ínicio quando o Gabriel ainda era muito pequeno, afinal ele só mamava peito e o fez até 1 ano e 7 meses, ainda mais complicado pelo fato dele só inciar a tomar LA quando completou 1 ano, antes disso era uma loucura meus horários, lembro que minha primeira audiência como mãe foi aos 15 dias de vida do meu pequeno, chorei tanto na ida ao fórum que pensei que nunca mais eu fosse conseguir me afastar fisicamente daquele coração que eu acabara de deixar batendo sob os cuidados de uma terceira pessoa, mesmo que essa terceira pessoa fosse minha mãe que sempre conseguia ficar com ele nas suas horas de almoço, que ela sempre adaptava para coincidir com minhas audiências.

Com o tempo percebi que nos afastarmos faria parte da vida, que mesmo que eu desejasse proteger aquele ser além do último dia da minha vida, eu não iria conseguir e que isso não significava fracasso algum , pelo contrário, isso só deixava ainda mais claro que o amor que existe entre mãe e filho é além de qualquer barreira, além de qualquer compromisso de trabalho, além de uma fugidinha ao salão, além de uma ida ao mercado, além do tempo e da distância, seja ela qual for.

A partir do dia que entendi isso, nunca mais me culpei por dedicar um tempo a mim, a mulher que havia se tornado mãe, mas que precisava continuar a se sentir mulher antes de tudo, afinal um filho só vem para somar em um casamento e nunca para subtratir ou dividir qualquer tipo de sentimento que já vivia ali.

Antes eu imaginava que se eu saísse de perto dele para fazer um agrado a mim ou mesmo tomasse um banho mais demorado, estaria sendo uma má mãe, imaginava que só deveria me ausentar para coisas inadiavéis e de extrema importância e isso nunca foi verdade, essa culpa sempre esteve apenas e tão somente na minha cabeça e que era remexida a cada tentativa de estabilização dos hormônios. Bendito seja os hormônios, rs.

Espero poder ter partilhado um pouquinho da minha experiência no pós parto. E com você, foi diferente, partilhe conosco sua experiência.

Grande beijo

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