sexta-feira, 15 de julho de 2011

Ensinando com afeto - by Anne

Olá queridas leitoras, hoje irei falar um pouquinho de afeto, e tentar decifrar o que uma palavrinha tão pequena carrega dentro de si.

Pois bem, basta engravidarmos que somos bombardeadas de todos os lados, pelo menos a maioria com opiniões de todos os cantos, é não faça isso, faça aquilo, olhe isso, sempre tentei ser educada na medida do possível.

Eis que chega o dia do nascimento e dali em diante ficamos menos “aceitadoras” de tantas opiniões, aqui foi assim, a tolerância chegou a beira do 0, e o instinto mãe vai falando mais alto, aprendi com a maternidade algo que levarei pelo resto de minha vida, que o certo pra um nem sempre é certo para o vizinho e assim por diante, que cada mãe sabe qual a melhor hora de dormir, a melhor refeição, a melhor escola, o melhor remédio, enfim, que cada mãe é única assim como cada bebê, mesmo que exista tanta semelhança das situações vividas.

Lendo uma reportagem dia desses, cheguei a conclusão que não importa como faremos qualquer coisa em relação a nossos pequenos, o que importa é ter afeto no que fazemos, mas o que seria esse afeto? Esse afeto é o afeto que AFETA. É o compromisso de transformar o outro, é abrir caminhos, é dar as mãos e desbravar caminhos desconhecidos.

Não importa se você só tem uma hora com seu pequeno por dia por conta dos afazeres do dia, que esta hora seja coberta do afeto que AFETA, que essa hora seja transformadora, isso sim é valioso. De que adianta uma mãe que tem um dia inteiro ao lado de seus filhos e não consegue afetar em nenhum momento essa relação, de que vale uma mãe que educa com raiva, com cansaço, sem paciência?! Óbvio que por inúmeras vezes chegamos em casa cansadas, chateada, sem paciência, isso quando esse dias não coincidem com a TPM, mas devemos nos esforçar para ensinar com afeto sempre.

Devemos ter a consciência de que cada momento em nossas vidas é único e nunca mais voltará e que tudo que ensinamos aos nossos pequenos será assimilado por toda uma vida. Se a criança vê que ensinar é sempre quando a mãe ou pai está bravo, gritando por exemplo...não mexa nisso, ou naquilo, ele nunca será afetado por esse ensinamento, pois o amor afeta, o afeto é amor pelo que nos dispusemos a fazer, só isso!

Um professor é capaz de afetar um aluno pelo conhecimento, pois o afeto está na preparação da aula, na voz, no toque, nos gestos, no silêncio, Marcelo Cunha Bueno, diretor pedagógico insiste que de nada adianta uma superescola, com um supermaterial, num superespaço, numa superlinha pedagógica se não há seres capazes de afetar e serem afetados pelos outros, pois afeto é o que fica.

A relação com nossos filhos é feita nos detalhes, é construída nos pequenos gestos, passando pela troca de olhares com ele ainda bebê, pelo colo, pela conversa franca logo após uma traquinagem e até por fazer as pazes depois de uma briga, isso é cumplicidade.
Ceres de Araujo, uma das psicólogas mais renomadas na área explica que desde o inicio da vida, é estabelecida naturalmente uma relação muito intima entre pais e bebês, e a partir dela a criança irá se desenvolver. Devemos ouvir sempre as razões do outro mesmo que não concordemos com exatamente nada, pois isso é cumplicidade e cumplicidade gera afeto.

Uma relação só é completa segundo a psicóloga quando conseguimos ir do amor incondicional por um filho a uma frustração com os mesmos.

Na hora de ensinar os pequenos devemos ir além de ensinar e pronto, afetá-los de alguma forma, pois só assim esse ensinamento terá valido a pena e será capaz de transformar suas vidas.

Portanto, a partir de agora, ao ser protagonista de uma cena que aparentemente é super normal e acontece com freqüência, como por exemplo levar seu filho para escorregar no parquinho e antes dele ter “coragem” de escorregar, seus olhos se cruzarem, tenha certeza que isso é confiança e foi construído porque seu filho certamente foi afetado por você.

Afete e deixe-se afetar! Conte-nos como o afeto faz parte de suas vidas.

Tenham todos um ótimo final de semana, beijos e até breve.

Fonte: Revista Crescer - Ed. 212- julho2011
Foto 1 : de minha propriedade - Gabriel e Marcelo em momento de cumplicidade.

2 comentários:

  1. Nossa Anne, que incrível esse seu post! Amei! Faz a gente refletir profundamente as nossas atitudes em relação aos filhos. Vc tá certíssima, tudo na vida tem que ser feito com afeto pra valer a pena. Principalmente cuidar e educar nossos filhos! Bjs

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  2. Amiga, que post mais lindo.
    Eu penso nisso o tempo inteiro. Hoje mesmo, aconteceu uma coisa comigo bem na hora que eu ia pegar o FH na creche, e eu fiquei mega chateada. Antes de entrar na escolinha, porém, eu repirei fundo, botei um sorrisão na cara e só aí fui abraçar o FH. Afinal, ele não tem culpa dos problemas diários que acometem a vida de adulto né? Eu procuro estar sempre disponível e de bem com a vida quando estou com ele. Concordo em gênero, número e grau com tudo que você disse. Vamos afetar nossos filhos! Beijos!!!!

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