sexta-feira, 8 de abril de 2011

Depressão Pós-Parto - by Anne

Queridas leitoras, é com muito prazer que venho compartilhar este assunto com vocês neste espaço tão especial.


Tudo andava muito bem durante minha gestação, até que um diagnóstico equivocado do médico que fez a TN do meu bebê mudou tudo, tudo seria diferente depois daquela tarde, lembro como se fosse hoje.

Na medição da TN o “bendito” não conseguia chegar a nenhuma conclusão e eu já ficando apavorada, afinal eu sabia que algo não estava bem, fui logo perguntado...quanto deu??? E ele disse...Calma, to vendo! Ah me irritei, como tá vendo? Já havia medido mais de 10 vezes, e os resultados eram totalmente diferentes, como isso...ele não está conseguindo medir eu pensava...foi quando ouço...Então...o bebê tá aqui...oras, óbvio que o bebê estava ali, eu estava vendo...e emendou...mas a medição da TN deu alterada...e eu disse novamente...quanto deu??? Ele disse que tinha dado 3,5, meu mundo caiu, havia rezado tanto para que tudo desse certo e meu filho teria alguma anomalia, ou ao menos grandes chances de tê-las, meu marido perguntou para ele o que isso significava e ele disse que provavelmente Biel teria síndrome de dow, meu marido foi bem forte e se conteve, fomos para a sala de espera aguardar o laudo e eu chorando sem parar, não que não fosse amar um filho que fosse portador de qualquer anomalia, mas algo havia dado errado no meu conto de fadas.

Aguardamos o resultado e no dia seguinte fomos a minha GO que pediu imediatamente que desconsiderasse essa possibilidade pois o médico que havia feito a US não era habilitado para tal e que gostaria que eu fizesse uma nova US com 16 semanas com um médico que era da confiança dela e tinha propriedade do assunto, disse ainda que eu tinha a opção de fazer amniocentese caso fosse meu desejo e explicou os riscos que meu bebê corria com tal exame invasivo e eu e meu marido de pronto rejeitamos cogitar a possibilidade de perdê-lo, isso não! Fomos para casa e aguardamos ansiosos a próxima Us.

Chegado o dia da Us, tive a impressão que Deus havia mandado um anjo no lugar daquele médico, um anjo com palavras doces, mas claras, objetivas e técnicas, um anjo sem asas, mas capaz de com o toque daquelas mãos ser capaz de transmitir a paz que eu buscava, um anjo que falava a língua dos homens, saímos da Us confortados e com uma esperança enorme de que o diagnóstico anterior não havia passado de um erro, assistimos a Us por diversas vezes em casa e quando me sentia triste assistia novamente para poder ouvir aquela voz que me trazia paz.

Bom, desde então quem fez minhas Us foi este anjo que atende pelo nome de Dr. Gaspar e a quem sempre serei grata, fizemos ecocardiograma fetal com uma das melhores especialistas neste tipo de exame e tudo indicava que meu meu bebê não teria nenhuma anomalia, no entanto meu coração esteve aflito durante toda a gestação. Para quem não acompanhou de pertinho o fim da minha gestação, Gabriel nasceu sem qualquer anomalia no dia 11 de fevereiro de 2010  super saudável, e é uma criança encantadora.

Quando leio sobre os sintomas da DPP, a única hipótese que me ocorre é deste sentimento de medo e alivio terem ficado tanto tempo presos dentro de mim, pois nenhuma outra hipótese se encaixa e poderia determinar o que causou a minha DPP, minha família sempre foi e é muito presente em tudo a que se refere ao Biel, eu tenho a mãe que toda mãe gostaria de ter, eu tenho melhores irmãs do mundo, eu tenho uma avó e um avó que me deram tratamento de Hotel no pós parto, eu tenho além disso tudo, um marido super presente e amoroso, além de um pai super atuante.

No começo foi muito difícil até eu mesma aceitar que eu poderia estar com DPP, mas com o tempo os sintomas foram ficando evidentes demais, não sentia mais necessidade nenhuma de comer, chorava a todo instante e sentia uma tristeza que me invadia de tal forma que não conseguia me imaginar passando nem sequer um batom e foi em uma dessas “crises mais latentes” e com muita ajuda do meu marido que procurei uma psiquiatra, isso aconteceu quando Biel tinha 10 meses de idade, muito recente, ou melhor muito tardio meu diagnóstico não é mesmo?! Sim, tardio, mas há tempo de eu voltar a ser eu mesma, de me sentir feliz pelo simples fato de saber que tenho a jóia mais rara do mundo nos meus braços. E quer saber? Amei me reencontrar novamente, só que com uma pequena diferença, me encontrei mãe e foi a descoberta mais linda e prazerosa da minha vida.

Por isso queridas mamães, se vocês sentirem qualquer um dos sintomas apontados para a DPP, não deixem de procurar ajuda, não sintam vergonha, não deixem um distúrbio que pode ser passageiro e breve “esconder” a mãe que tem dentro de você, abaixo pesquisei um pouco acerca deste assunto que ainda é cercado de muitos tabus e que não é frescura como dizem muitas pessoas mal informadas.

O que é?

A depressão pós-parto (DPP) é uma forma de depressão que afeta mulheres após terem dado a luz a um bebê. Estima-se que cerca de 60% das novas mães passam por uma forte melancolia após o parto conhecida internacionalmente como baby blues. No Brasil cerca de 40% desenvolvem depressão sendo que 10% apresentem a sua forma mais severa. Recomenda-se que uma psicoterapia seja iniciada o mais rápido possível.
Pode parecer estranho, mas é comum que pais, isso mesmo, os homens tenham sintomas de depressão em 25,5% dos casos. O Edinburg PostNatal Depression Scale (EPDS) pode ser usado para identificar a presença da DPP.
A depressão pós parto pode se manifestar com intensidade variável, tornando-se um fator que dificulta o estabelecimento de um vínculo afetivo seguro entre mãe e filho, podendo interferir nas futuras relações interpessoais estabelecidas pela criança.
Apesar das controvérsias, vários fatores podem ser mencionados como possível causa da depressão pós-parto, entre eles: 

Fatores biológicos 

São os resultantes da grande variação nos níveis de hormônios sexuais (estrogênio e progesterona) circulantes e de uma alteração no metabolismo das catecolaminas causando alteração no humor, podendo contribuir para a instalação do quadro depressivo. 

Fatores psicológicos 

São os originados de sentimentos conflituosos da mulher em relação:  
  1. a si mesma, como mãe
  2.  ao bebê
  3. ao companheiro
  4. a si mesma, como filha de sua própria mãe



Existem outros fatores?


Outros fatores, relacionados às condições do parto, à situação social e familiar da mulher gerando sobrecarga, também podem desencadear esses distúrbios. 

Quais são os principais sintomas?

Os sintomas incluem crises de choro, falta de apetite, fadiga, humor deprimido, irritabilidade, ansiedade, confusão e lapsos curtos de memória, dentre outros.
Uma pesquisa mostrou que uma entre cinco mães de crianças com mais de um ano de idade tem sinais de depressão, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, analisaram o comportamento de mães de crianças com mais de um ano de idade. A conclusão é surpreende: uma entre cinco tem sintomas de depressão pós-parto tardia. Carol Weitzman, uma das autoras da pesquisa, explica que o período de depressão pós-parto pode se estender, e há riscos dos sintomas aumentarem – se agravarem - com o passar do tempo.

A psicóloga Ana Merzel Kernkraut, coordenadora do serviço de psicologia do Hospital Israelita Albert Einstein, acredita que os dados do estudo correspondem também à realidade brasileira. “Mães que não recebem o diagnóstico de depressão pós-parto no período correto podem ter os sintomas por vários anos”, afirma.
 
Por fim, a pesquisa mostra que uma das melhores maneiras de se detectar os sintomas de depressão nas mães é em consultas pediátricas. A autora do estudo aponta que faz parte da rotina das novas mães levarem seus filhos ao médico, e que é nesse momento que elas precisam também passar por um check-up. Kernkraut concorda com a descoberta da autora e explica que, muitas vezes, a relação da mãe com o obstetra acaba depois que a criança nasce, por isso o pediatra é fundamental no auxilio do diagnóstico depressivo. “Ele vai questionar a relação entre mãe e bebê e, nesses questionamentos, pode perceber a depressão”, completa.

De acordo com especialista Joel Rennó Júnior, psiquiatra e coordenador do Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP, o diagnóstico deve ser feito o quanto antes, pois as consequências para a criança podem ser irreversíveis, como um retardo no desenvolvimento lingüístico e cognitivo e até depressão.
Tema muito discutido, estudado e ainda sem muitas respostas concretas, foi inclusive tema de um filme lançado em julho do ano passado , o filme “O Estranho em Mim”, sobre depressão pós-parto, teve pré-estreia na Mostra Internacional de Cinema, em São Paulo, seguida de palestra com especialistas sobre o problema, que afeta tantas mulheres após o nascimento do filho. A iniciativa é do CineMaterna, associação que promove sessões de cinema para mães.

O filme conta história de um jovem casal que, com o nascimento do primeiro filho, se depara com a impotência e desespero diante do estranhamento da esposa com o bebê. A diretora, Emily Atef, ganhou o prêmio de melhor filme na Competição de Novos Diretores da 32ª Mostra Internacional em São Paulo/2008, e comenta que buscou relatar o retrato pessoal de uma mulher que cai em uma crise profunda, afetando a vida de todos que a cercam. O filme alemão ganhou também o prêmio de melhor atriz para Susanne Wolff, protagonista do filme.

Há algo que parentes e amigos possam fazer? 

Conviver com alguém deprimido pode ser assustador, por isso é importante que a família tenha a orientação de um profissional de saúde para que ele explique melhor o quadro e aconselhe sobre a melhor forma de agir. Uma vez que todos saibam que se trata de depressão pós-parto -- um problema real, e não "frescura", mas que tem tratamento --, a família toda tende a se sentir melhor. O importante é lembrar que a depressão é um estado passageiro. Se sua mulher/mãe/irmã/amiga está deprimida, veja abaixo algumas maneiras que podem ajudá-la a enfrentar esta fase: • Certifique-se de que ela está tomando o remédio como o médico orientou e de que esteja indo às consultas médicas (ou à terapia) • Caso ela não queira tomar remédios, procure tentar convencê-la a falar com um médico sobre outras alternativas • Acompanhe-a ao médico caso ela esteja relutante em ir por conta própria • Não dê conselhos do tipo "deixa disso" ou "vê se melhora o astral". Ela certamente se comportaria de maneira diferente se conseguisse, se dependesse da vontade dela! • Auxilie, se puder, com as tarefas domésticas ou mesmo com o bebê, mas, por outro lado, não assuma tudo o que diz respeito à criança • Faça companhia caso ela tenha medo de ficar sozinha • Lembre-a o tempo todo de que tudo melhorará e que a tristeza vai passar • Se se trata de sua companheira, procure tratá-la como mulher, e não somente como a mãe do seu filho.

Posso me ajudar?

Tente manter uma alimentação saudável. Caso não tenha apetite, procure fazer pequenas refeições regularmente -- o café da manhã é especialmente importante. Consuma alimentos ricos em energia, como pães, cereais, macarrão e arroz, além de muitas frutas e verduras. Não há nada de errado em comer chocolate, se este for o seu desejo, mas só não exagere na dose. Descanse bastante. Durma, se conseguir, ou simplesmente relaxe. Se alguém puder cuidar do bebê para você, aproveite para tirar uma soneca durante o dia ou escolha uma boa leitura e curta alguns momentos de preguiça. Não seja dura consigo mesma. Você está doente e precisa de tempo e espaço para se recuperar. Não se sobrecarregue de tarefas domésticas que não sejam urgentes e adie as "grandes" decisões por enquanto. Permita-se alguns mimos e, aos poucos, você sentirá a diferença.

Será que vou ter depressão pós-parto com meu próximo filho? 

É possível, já que histórico de depressão é um dos fatores que podem influenciar na incidência de uma depressão pós-parto. Existem inúmeras mulheres, no entanto, que tiveram depressão com um filho e depois não voltaram a ter problemas. Pense que, se a depressão voltar a atingi-la, pelo menos você já terá aprendido a lidar melhor com ela e saberá como usar a ajuda de familiares, amigos e médicos. Além disso, você não será pega tão de surpresa e poderá procurar ajuda mais cedo. Vale a pena conversar sobre o assunto com o obstetra ainda durante a gravidez.

Há como prevenir a depressão pós-parto? 

Não se sabe ao certo. O que se sabe é que uma mulher que conte com bastante apoio durante a gravidez tem mais chances de encarar a maternidade com confiança e segurança. Assim sendo, quando engravidar de novo, faça o máximo para durante os nove meses se cuidar bem, aceitar toda a ajuda do mundo, fazer alguma atividade física e reduzir os níveis de estresse. Há médicos que defendem o uso de injeções de progesterona depois do parto como forma de reduzir o risco de depressão. As provas científicas quanto a isso não chegam a ser sólidas, mas converse com o seu ginecologista para saber se é algo que vale a pena considerar no seu caso.

"...E ainda se vier noites traiçoeiras,
Se a cruz pesada for, Cristo estará contigo.
O mundo pode até fazer você chorar,
Mas Deus te quer sorrindo..."
(Composição : Carlos Papae)
Como foi a sua adaptação com o bebê no pós parto? Conte-nos a sua experiência.
Grande beijo e até sexta que vem queridas leitoras.



           www.abcdasaude.com.br

fotos: www. misericórdia.com.br
www.femminina.worldpress.com
http://2.bp.blogspot.com/__HLialMJ4LI/S-bDPInV40I/AAAAAAAAALc/inbdPPgyTJ4/s1600/mae.jpg

7 comentários:

  1. Anne amiga, que post lindo e esclarecedor. Sei o quanto foi difícil para você esse diagnóstico, mas o que mais importa é que você tem uma família linda e o Biel é muito amado. Amo você!!!!
    Beijos!!!!

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  2. Anne, passei junto com vc por essa fase dificil que gacas a Deus foi superada, Biel ja tem um aninho, um doce de crianca, perfeita e saudavel. A DPP é muito seria mesmo, e qdo cuidada logo de inicio é muito mais facil de encararmos a correria do dia a dia. bjs

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  3. Bom dia !!! Seu pot como todos os contos de fada COM UM FINAL FELIZ !!! agradeço por partilhar sua intimidade e esclarecer pontos importantes desta fase que muitas mamães enfrentam

    Eu não posso dizer que tive DPP mas confesso que no 1º dia logo após o parto (normal) eu não sei o pq mas rejeitei a piquena (se é que posso dizer isto) a adaptação foi dificil mas hoje posso dizer que ela é o ar que respiro, tudo por ela e para ela.

    Acredito que me preparei muito para a gestação, e li muita história bonita, e não me preparei para o que realmente estava por vir ... hoje acompanhando os bloguinhos eu me sinto imensamente mais preparada para as próximas fases que ainda virão.

    Beijosss e um final de semana maravilhoso !!!

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  4. Anne...lindo demais seu post amiga...fico muito feliz q vc tenha saido vencedora desta batalha...seu trofeu?? a familia maravilhosa q vcs construiram!!! Bjos

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  5. muito bonito seu post viu amiga e tambem muito esclarecedor! e fico muito feliz que esteja recuperada e com seu filhote ai lindo, forte e saudavel!!! beijoooxx

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  6. Anne, parabéns pelo post, vivi com vc essa fase difícil e tb estou aqui comemorando a sua superação! Eu não cheguei a ter DPP mas confesso que tive muitos desses sintomas nos primeiros meses da Rafa, mas pedi ajuda pra minha GO e tomei um remedinho pra me ajudar a ficar mais tranquila! O importante é sempre procurar ajuda! Bjs!

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  7. Menina, lendo aqui que me lembrei da história da TN! Que barra que foi, hein?! E vc mal se abriu com a gente essa época... Que bom que vc conseguiu superar a DPP e desabafou aqui conosco, assim outras mamães que sofrem com DPP sabem que tem solução e que pode ter um final feliz!! bj e te adoro tb!

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