sábado, 2 de abril de 2011

2 de abril: Dia Mundial da Conscientização pelo Autismo - by Roberta Lopes

O autismo é um transtorno definido por alterações presentes antes dos três anos de idade e que se caracteriza por alterações qualitativas na comunicação, na interação social e no uso da imaginação.


Prevalência e epidemiologia


A taxa média de prevalência do transtorno autista em estudos epidemiológicos é de 15 casos por 10.000 indivíduos, com relatos de taxas variando de 2 a 20 casos por 10.000 indivíduos. No Brasil, ainda não se dispõe de estatísticas oficiais. Em relação às variáveis sociodemográficas, o autismo apresenta a mesma prevalência em qualquer grupo social, cultural e racial da população. Quanto ao gênero, observa-se uma prevalência do autismo no sexo masculino, havendo uma estimativa de que ele acomete de três a quatro meninos para cada menina.



Sintomas de um indivíduo com Autismo


Segundo a ASA (Sociedade Americana de Autismo), indivíduos com autismo usualmente exibem pelo menos metade das características listadas a seguir:

1. Dificuldade de relacionamento com outras crianças

2. Riso inapropriado

3. Pouco ou nenhum contato visual

4. Aparente insensibilidade à dor

5. Preferência pela solidão; modos arredios

6. Rotação de objetos

7. Inapropriada fixação em objetos

8. Perceptível hiperatividade ou extrema inatividade

9. Ausência de resposta aos métodos normais de ensino

10. Insistência em repetição, resistência à mudança de rotina

11. Não tem real medo do perigo (consciência de situações que envolvam perigo)

12. Procedimento com poses bizarras (fixar objeto ficando de cócoras; colocar-se de pé numa perna só; impedir a passagem por uma porta, somente liberando-a após tocar de uma determina maneira os alisares)

13. Ecolalia (repete palavras ou frases em lugar da linguagem normal)

14. Recusa colo ou afagos

15. Age como se estivesse surdo

16. Dificuldade em expressar necessidades - usa gesticular e apontar no lugar de palavras

17. Acessos de raiva - demonstra extrema aflição sem razão aparente

18. Irregular habilidade motora - pode não querer chutar uma bola, mas pode arrumar blocos

OBS.: É relevante salientar que nem todos os indivíduos com autismo apresentam todos estes sintomas, porém a maioria dos sintomas está presente nos primeiros anos de vida da criança. Estes variam de leve a grave e em intensidade de sintoma para sintoma. Adicionalmente, as alterações dos sintomas ocorrem em diferentes situações e são inapropriadas para sua idade.

- O autismo não pode ser causado por fatores emocionais e/ ou psicológicos.

- Fatores genéticos e ambientais também desempenham um papel na gênese do autismo (interação gene-ambiente).

- Estudos genéticos indicam um elevado risco de recorrência do transtorno autismo na mesma família de 2% a 13,8%, o qual chega a ser 200 vezes superior ao risco da população em geral. O risco é maior entre os irmãos de indivíduos com o transtorno, dos quais 2 a 5% também apresentam a condição.



Diagnóstico


Os sistemas diagnósticos (DSM-IV e CID-10) têm baseado seus critérios em problemas apresentados em três áreas, com início antes dos três anos de idade, que são: a) comprometimento na interação social, b) comprometimento na comunicação verbal e não-verbal, e no brinquedo imaginativo, c) comportamento e interesses restritos e repetitivos. É relevante salientar que essas informações devem ser utilizadas apenas como referência.

Recomenda-se caracterizar a queixa da família: sinais, sintomas, comportamento, nível de desenvolvimento cognitivo e escolar do indivíduo - quando for o caso, relacionamento inter-pessoal, investigar os antecedentes gineco-obstétricos, história médica pregressa, história familiar de doenças neurológicas, psiquiátricas ou genéticas, analisar os critérios do DSM-IV-TR ou da CID-10, realizar avaliações complementares (investigações bioquímicas, genéticas, neurológicas, psicológicas, pedagógicas, fonoaudiológicas, fisioterápicas), pensar a respeito do diagnóstico diferencial, investigar a presença de co-morbidades, classificar o transtorno, planejar e efetivar o tratamento.

Muitas vezes, o autismo é confundido com outras síndromes ou com outros transtornos globais do desenvolvimento, pelo fato de não ser diagnosticado através de exames laboratoriais ou de imagem, por não haver marcador biológico que o caracterize, nem necessariamente aspectos sindrômicos morfológicos específicos; seu processo de reconhecimento é dificultado, o que posterga a sua identificação.

Um diagnóstico preciso deve ser realizado, por um profissional qualificado, baseado no comportamento, anamnese e observação clínica do indivíduo.

O autismo pode ocorrer isoladamente, ser secundário ou apresentar condições associadas, razão pela qual é extremamente importante a identificação de co-morbidades bioquímicas, genéticas, neurológicas, psiquiátricas, entre outras.



Tratamento e prognóstico


A gravidade do autismo oscila bastante, porque as causas, não sendo as mesmas, podem produzir significativas diferenças individuais no quadro clínico. Desta forma, o tratamento e o prognóstico variam de caso a caso.

Os indivíduos com autismo têm uma expectativa de longevidade normal.

O transtorno autista é permanente, até o presente momento, não tem cura.

O diagnóstico precoce do autismo permite a indicação antecipada de tratamento. Um tratamento adequado é baseado na consideração das co-morbidades para a realização de atendimento apropriado em função das características particulares do indivíduo. A terapêutica pressupõe uma equipe multi- e interdisciplinar – tratamento médico (pediatria, neurologia, psiquiatria e odontologia) e tratamento não-médico (psicologia, fonoaudiologia, pedagogia, terapia ocupacional, fisioterapia e orientação familiar), profissionalizante e inclusão social, uma vez que a intervenção apropriada resulta em considerável melhora no prognóstico.

A farmacoterapia continua sendo componente importante em um programa de tratamento, porém nem todos indivíduos necessitarão utilizar medicamento. Não existe medicação e nem tratamento específicos para o transtorno autista.

A demora no processo de diagnóstico e aceitação é prejudicial ao tratamento, uma vez que a identificação precoce deste transtorno global do desenvolvimento permite um encaminhamento adequado e influencia significativamente na evolução da criança.

O quadro de autismo não é estático, alguns sintomas modificam-se, outros podem amenizar-se e vir a desaparecer, porém outras características poderão surgir com a evolução do indivíduo. Portanto se aconselham avaliações sistemáticas e periódicas.

O envolvimento da família é fundamental para o sucesso do tratamento. É fundamental o investimento no SER HUMANO com autismo, toda a intervenção produzirá benefícios significativos e duradouros. Nunca deixe de acreditar no potencial do indivíduo com autismo.



Você sabia?


Thomas Jefferson (presidente do USA), Vicent Van Gogh (pintor), Albert Einstein (cientista) e Bill Gates (Microsoft) tinham traços autistas?


Entidades no Brasil que atendem autistas:


Recomendação de sites sobre o tema:





Fonte: www.autismo.com.br, google imagens.

4 comentários:

  1. Amiga que post lindo, bem elucidativo, parabéns pela pesquisa, um diagnóstico precoce pode ajudar e muito, todas as mamães devem ficar atentas mesmo. Ninguem imagina que grandes personalidades tenham traços de autismoa, mais uma prova de que o portador pode sim ter uma vida normal! beijos flor!

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  2. Bem explicativo o post. As mães sempre têm que ficar atentas aos seus filhos. Quanto antes estimular o bebe melhor!! bj

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  3. Amei o post amiga. Eu nem sabia a maioria das coisas que você escreveu. Minh mãe tinha uma amiga que descobriu que o filho tinha autismo e ela acabou se mudando daqui porque aqui não tem estrutura nem tratamento adequado, imagina! Na época ela e o marido sofreram muito por causa disso. Hoje eles estão bem. Parabéns pela explicação! Beijos!

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  4. Adorei o post, muito explicativo, e um assunto muito relevante. Parabens Ro pela iniciativa em postar algo tao importante para todas nos.

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