quarta-feira, 23 de março de 2011

Aprendendo a falar - by Maryna



Por que os bebês não nascem falando? Segundo Pinker (2002), os bebês humanos nascem antes de seus cérebros estarem completamente formados. Se os seres humanos permanecessem na barriga da mãe por um período proporcional àquele de outros primatas, nasceriam aos dezoito meses, exatamente a idade na qual os bebês começam a falar, portanto, nasceriam falando.

Balbuciando

É comum dividir o estágio inicial da aquisição de linguagem em duas fases: pré-lingüística e lingüística. No estágio pré-lingüístico, a capacidade lingüística da criança desenvolve-se sem qualquer produção lingüística identificável. Sem levar em conta as mudanças biológicas que facilitam o desenvolvimento lingüístico e ocorrem nos primeiros meses de vida da criança, é o balbuciar dos bebês de aproximadamente seis meses que sinaliza o começo da aquisição da linguagem. Esse período é tipicamente descrito como pré-lingüístico porque os sons produzidos não são associados a nenhum significado lingüístico. O estágio dos balbucios é marcado por uma variedade de sons que muitas vezes são usados em alguma das línguas do mundo, embora muitas vezes não sejam a língua que a criança irá, posteriormente, falar.

Por isso que ás vezes parece que os nossos bebês falam uma língua que eles mesmo inventaram que só eles entendem.

Começando a falar

Segundo Stillings (1987), o primeiro estágio verdadeiramente lingüístico da criança parece ser o estágio de uma palavra. Nesse estágio, que aparece a poucos meses delas completarem um ano, as crianças produzem suas primeiras palavras. Durante esse estágio, as suas falas se limitam a uma palavra, que são pronunciadas de maneira um pouco diferente da dos adultos. Muitos fatores contribuem para essa pronúncia não usual: alguns sons parecem estar fora da escala auditiva das crianças, por dependerem da maturação de alguns nervos. Sons que são difíceis para a criança detectar, tornam-se difíceis para elas aprenderem. Além disso, alguns sons parecem ter uma articulação difícil para as crianças. Por exemplo, é comum ver crianças que possuem desenvolvimento lingüístico adiantado mas não conseguem pronunciar o [r]. Algumas vezes, sons fáceis podem se tornar difíceis na presença de outros sons. Por exemplo, crianças no estágio de uma palavra freqüentemente omitem o som das consoantes finais.

Crianças nessa fase, além de pronunciar as palavras de maneira diferente também querem dizer coisas diferentes com elas. Muitos pesquisadores perceberam que as crianças parecem expressar significados complexos com suas expressões curtas. É como se suas sentenças de uma palavra representassem um pensamento completo. Por exemplo, quando a minha filha quer que eu pegue algo pra ela, ela aponta (nem sempre com o dedo a direção certa) para o objeto e fala “lá”, e esse “lá” pra ela significa: “Mamãe pegue aquele brinquedo lá em cima pra mim”.

Mesmo que a primeira hipótese sobre aquisição de linguagem seja de que a criança simplesmente adquire sons e significados, a investigação das primeiras palavras da criança indica que o conhecimento adquirido por aquelas de um ano de idade toma a forma de um sistema rico de regras e representações. Como esses sistemas abstratos foram deduzidas, principalmente, através das experiências das crianças na comunidade lingüística, as diferenças entre a gramática da criança e a do adulto são compreensíveis.

À medida que o MLU (média de palavras por expressão) aumenta, a complexidade da gramática que gerencia essas palavras torna-se mais complexas, no entanto, continua sendo deficiente em relação à dos adultos (crianças de dois e três anos). O discurso das crianças dessa idade é descrito como discurso telegráfico, omitindo pequenas palavras como determinantes e preposições. Além disso, existem problemas com as estruturas que não seguem uma regra geral, por exemplo, é comum as crianças dizerem eu trazi, generalizando a regra dos verbos regulares. O interessante é que antes de cometerem este erro, elas passam por uma fase em que usam o verbo adequadamente. Uma explicação para essa regressão é que no início elas simplesmente imitam a formação do verbo, mais tarde, no entanto, após aprender a regra de formação, elas simplesmente a aplicam para todos os verbos. Porém, com o passar do tempo acabam aprendendo a forma certa, mesmo que seja através da memorização.

Apesar da minha filha falar apenas meia dúzia de palavras, eu entendo tudo o que ela quer dizer e ela entende tudo o eu falo para ela, mesmo parecendo que cada uma fala num idioma. E seu bebê já balbucia alguma coisa? Você entende o que seu bebê fala? Conte para nós!


Fonte: http://www.nce.ufrj.br/ginape/publicacoes/trabalhos/renatomaterial/aquisicao.htm

7 comentários:

  1. Maryna, adorei o seu post! Bastante científico e muito interessante.
    A Sophia fala poquíssimas palavras e ultimamente percebi que ela usa uma mesma palavra para significar várias coisas, mudando apenas a entonação. A primeira coisa que ela aprendeu a falar foi "papa". Que significava papai ou papá e um tempo depois passou a significar inclusive mamãe!!! Tudo era "papa". Depois ela passou a falar, "dá", "adê", "que", "neném", "mamã" (só nas horas de desespero!....kkk). Mas como diz no texto, nem sempre as palavras que ela usa tem o exato siginificado do que ela está querendo dizer. Eu acho que ela vai ser uma daquelas cianças que se acomodam (porque a gente permite, né?) e demoram para falar e um belo dia, saem falando tudo!
    Bjusss

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  2. Tava lendo sobre isso no "o que esperar dos primeiros anos". A Jade antes falava só mama. Até que ensinamos papa e agora é só papa, mas sempre falo, papa (aponto pro pai), mama (eu!), Jade (ela) e tia Lu (a baba). Ela tem falado pelos cotovelos agora! hahaha Pede aua, brrr (onibus e caminhão), alá (a luz), ni (Nick e Zerinho, nossos gatos). É uma graça poder acompanhar o desenvolvimento dela, ainda mais seu vocabulário!! O livro comenta que a gente deve sempre falar o que está fazendo e dando pra ela comer, para ela aprender. Evitar a linguagem tabitati.

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  3. Adorei o post, Camila tb sabe algumas palavrinhas, umas dez, ela fala mama, papa, carol (que é a cachorra, mas ela fala é caoolll), bicho (mosquito), bola, bobo (vovo), que (quero), dá, enfim, acho lindo demais essa fase.

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  4. A Isa solta, papaiiii, mamã, papá, nenem, uby (ruby), dá, aua (agua), uuuupa e mã....tudo é mã e um...nem sempre eu acerto o q é mã e o que é um hehehehehhe, mas essa fase é mesmo uma fofurice!!!

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  5. O FH é uma matraquinha, puxou a mãe kkkkkkk Conversa o dia inteirinho na lingua dele hehehehe Mas palavras mesmo ele fala papai, mamã, mamá, bo (bolacha), tetê (Bere e Bartô, os pugs), papá (comida), brum (jepp), aua (água), cocó (cocoricó), zid (sid, o cientista), pabo (backyardigans), olha, alá (pra apontar as coisas que ele quer mostrar), bobó (vovó), vovô (não sei por quê hehehe). E acho que só essas, que eu tô lembrando agora. Vixe, muita né? hehehehe Além disso ele já reconhece os coleguinhas e as tias da creche pelo nome e várias coisas também. E já sabe pedir tudo que ele quer mostrando e apontando, que é um jeito de se comunicar também. Amei seu post amiga! Muito bom quando você coloca seu lado educadora pra fora! Beijos!

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  6. muito bom o post gostei! a Anna Laura ta falando varias palavrinhas, uma beleza, mas todo mundo aqui acha que ela ta preguiçosa pra falar! Ela fala: papai, papae, titia, vovó, vovô, dindinho; Tias: lili, Cecé, o nome sinplificado de todos os primo:Juju,nan, Cacá, Dede, lipe,
    água, mamão, pão, patati, patata, menininha, pula e mais um monte!
    É isso muito bom mesmo o post parabens amiga!!!

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  7. O Biel fala o tempo todo papa (acorda chamando papa) kkk, mamã quando quer, tética (minha irmã Jéssica), bobó, óh (fica apontando), vrum (para andar de carrinho, meu pai que ensinou), por enquanto é isso...muito legal o post amiga!

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